domingo, 3 de abril de 2022

TÔ FRACO, TÔ FRACO

Tô fraco, 
Tô fraco, 
Tô fraco.
Avisa o coração.
Nem estou com o vestido de gala.
Onde está meu lenço vermelho?
Meu vestido preto e branco,
meu andar lépido e faceiro?
Enfarto, isquemia, angina, insuficiência cardíaca,
descanso, licença, medicamentos, restrições, pouco líquido.
Logo agora com a bicicleta arrumada?
Mil ideias de passeios?
Obrigações, cargo, projetos?
Deita, matuta sobre ti.
É o que tens para agora.
Tô fraco,
Tô fraco,
Tô fraco.
Já sei bomba cardíaca.
Um dia tu ias dizer basta.
Nem fiquei perplexa.
O coração poético sussurou.
Àquele que foi estrupiado, maltratado, esburacado, enganado.
Os sinais do corpo pensei que eram outra coisa.
Quão complexo é o corpo.
Tô fraco,
Tô fraco,
Tô fraco. Eu  também!

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Escrever

O ato de escrever me auxilia a viver.
Vou jogando em folhas diversas em diferentes tamanhos e texturas, pensamentos, angústias, lutos, saudades, indignações e reflexões.
Escrevo também em diferentes plataformas e redes sociais.
Muitas e muitas vezes esqueço onde escrevi, contudo tenho uma imensa necessidade de escrever.
Vez ou outra o texto fica apenas na minha mente, é gestado, organizado, burilado e não nasce.
Quando socializo o que escrevo, o texto impacta de diferentes formas quem o lê.
É um processo de catarse, de tratar os assuntos que necessitam ser tratados , tratados por mim.
Minha construção durante os anos foi esta: escrever.
Fui deixando de incomodar os ouvidos alheios que vivem a correr, em tempos cada vez mais escassos: celulares, tarefas, obrigações, grupos em redes sociais, grupo do grupo, do grupo que vão automatizando estendendo o trabalho para todos os espaços e momentos da vida.
Diferente do que me foi falado e  do que é  ensinado para outras tantas pessoas, especialmente as mulheres.
- Ninguém precisa saber o que você pensa, o que você passa, o que você sente.
Contrariando o "socialmente acordado" exponho. 
E expondo, vivo.


 

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Rumo ao Chile - 14/01/2015

Na madrugada espero o voo, cochilarei no translado.
Uma jovem conectada e com grandes fones e ouvido, espera deitada a chamada.
E eu, enquanto fico esperando por dias melhores e por um encantado companheiro que goste de correr o mundo em transportes variados, sigo eu.
A vida é curta e o mundo é vasto, conforme Carlos.
Rumo ao Chile.


quinta-feira, 26 de novembro de 2020

domingo, 8 de novembro de 2020

Quase trinta anos em cerca de três anos. Corpo, alma e espírito, tudo envelheceu. Um amigo falou : - Não envelhecerás, tens alma de criança. Ele nem imaginava. Não sabemos o futuro. O corpo se desingringola aos saltos. Existem idosos jovens, vigorosos e saúdaveis. E há também adultos enferrujados.

terça-feira, 30 de junho de 2020

Canindés

Encontro abrigo nos braços do Pai,
nas madrugadas intermináveis.
Interrompidas pelo tagarelar das Canindés com suas nuances de azuis e seu amarelo e verde que se sobressai.
As Canindés lembra as cores da bandeira.
(Se fôssemos como as canindés cuidaríamos uns dos outros com mais carinho e atenção).
Adormeço com o gorjeio dos bem-te-vis com um Sol já firme em dias claros.
A noite pelo dia.
Tomara que meu paraíso seja uma mescla  da primavera no Pantanal com as águas mornas do mar nordestino.
Onde eu possa repousar sem medo apreciando a natureza.
Para saber: 
Texto sem requinte literário e excessivamente pueril.
Já que todos tem o direito de receber um Corona mortal.
Devanear sobre o passamento vira algo cotidiano.
Que seja então lúdico.


segunda-feira, 29 de junho de 2020

Fotografias

Olhou as fotos com a taça de vinho ao lado.
Viu mortos, estranhos e amados.
Olhou queridos pertos e distantes.
Sorriu e chorou.
Teve saudades do que não viveu.
Secou a face.
Arrumou as vestes.
Bebeu o último gole.
Voltou ao trabalho.

sábado, 27 de junho de 2020

Cacos

Me quebro.
Espatifada no solo,
um vento sopra.
O espírito/alma junta os cacos.
Alguns permanecem lá,
logo depois são pisoteados pela multidão desgovernada
mascaradas ou não.
Alguns pombos bicam os caquinhos, em seus cérebros e estômagos famintos imaginam fragmentos brilhosos/opacos de comida.
Ao me (re)construir,
estou capenga, esburacada, deformada.
Parte de mim virou poeira, foi parar no fundo do esgoto, virou excremento de bicho.
Sou eu e não sou eu.
Virei outra, mas sou eu.
Estou me (re)descobrindo.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

In memorian

In memorian: Moshe Dayan

Faria 31
Sigo aos 56 e 1/2
Cumprindo rituais e obrigações,
tendo lazer
E tenho saudades,
muitas.
Envelheci e cada vez mais taciturna,
me distancio de quem deseja me enformar.
Me refugio nas folhas, de livros e plantas.
Nunca estudei Pessoa, leio seus poemas e textos.
Os heterônimos o ajudaram a dispersar as regulações alheias?
Não chore, não fique triste, saia, fique, pinte, não pinte, emagreça, não coma isto ou aquilo, levante, durma, escreva, não escreva. Você tem falta de Deus. Herege.
Ingênuos a parvos.
Amorosos e empáticos,
nos últimos me encontro.
Pessoa encontrou um escape?
Talvez escreveu mais tranquilo ao sentir a febre e Bernado Soares o ajudou.
Faria 31
Aos 28 anos, nove meses e 11 dias partiu.
Importa?
Para quem o amou, sim.
Saudades maternas.




quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Saudades

Foi embora,
Saiu de cena
Sombra!
Uma sombra refletida no asfalto,
Intangível concretude
Decidiu ser inteira,
mergulhada em Saudades

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O colorido das linhas

Em um tempo de elogio da tortura.
Prefiro me ocupar das linhas e agulhas.
Dialogar sozinha.
Ser nominada de lunática.
Tecer tramas,
fabricar malhas,
misturar cores,
à papear com  bombas cardiacas
monocromáticas,
monotemáticas,
egocentradas,
emperdenidas,
mergulhadas em uma sociedade distópica
Prefiro o colorido das linhas.

sábado, 7 de setembro de 2019

Flores

Flor do campo,
suave, perfumada e delicada

Rosa,
formosa, garbosa, desejada e perfumada

Flor do campo, suave, perfumada e delicada?
Uma rosa, formosa desejada e perfumada?
Uma orquidea rara?

Palma forrageira!
desengonçada, espinheita e marcada pelo sol escaldante

Quem vence os espinhos,
encontra água, água doce que mata a sede
são poucos que se arriscam



domingo, 28 de abril de 2019

Questionamento

O que se faz com a saudade?
Nada se faz
Se vive
E os questionamentos?
E os questionadores?
Ignoramos.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

BATALHAS

De batalha em batalha
Mergulhei em um processo do aprendizado do agora
Cada microsegundo é vívido e vivido.
Celebro o Epicurismo, não!
Reoorganizo as conexões neuronais.
Recuso ilusões, minimizo temores.
Suplanto as "ites" e as "dades"
Se não sei o que me espera no segundo seguinte
Melhor sentir o presente.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Sou plena quando escrevo

Sou plena quando escrevo,
sem temores, nem reservas
Exponho a alma na rua,
para os que a sabem ler,
em um mundo de analfabetos.

terça-feira, 19 de março de 2019

Bem-me-quer

Bem-me-quer,  malmequer,  bem-me-quer, malmequer,
Bem-me-quer, mal-me-quer,  Bem-me-quer,  mal-me-quer,
Em qualquer ortografia,
Como o número pi,
3,14159295....
posso continuar infinitivamente  a cantilena,
Mas a resposta eu sei: malmequer  ou não me queres,  não me importa
Sou egoísta,  escrevo para mim
Se gostas ou não,
Continuo a escrever,
Se bem-me-queres  ou malmequeres ou se definitivamente simplesmente não me queres,
Sou egoísta,  sigo a sentir.


domingo, 10 de março de 2019

SILÊNCIO

Silêncio
ensudercedor,
esmagador
que estoura os tímpanos e atordoa
O sangue escorre
Desnorteada com a verborragia do Silêncio
Me calo
Me resguado
Hiberno sem a segurança de despertar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Espumas do mar




Foto de Flávia Cavalcanti Gonçalves.Foto de Flávia Cavalcanti Gonçalves.
Foto de Flávia Cavalcanti Gonçalves.










Nos momentos livres da viagem técnica tenho ido ao mar.


(texto escrito em 2015 e publicado no Facebook)

Hoje fiquei observando as ondas, a maré estava subindo, as ondas quebrando e a espuma lindamente se 'amostrando' toda 'assanhada'.
Moro longe do mar, mas o mar não sai de mim. 
Posso observá-lo de longe, porque existem alguns que são para serem observados e outros para mergulhar, nadar, boiar, "pegar jacaré, brincar... Não é todo mar que me deixo envolver, tem que ter o aroma certo, a temperatura, o molejo da onda...Ah sim e tem a praia. A praia! Prefiro praias com um certo tipo de areia, com faixas largas e pouco movimento. Praia que você tem que brigar por um pedacinho de chão, gosto não visse.
As espumas hoje estavam lindas! Em alguns momentos parecia flocos de coco que faço beijinho ou coloco no recheio da tapioca, dava até vontade de abocanhar. Em outro momento parecia uma faixa estreita de nuvens. E uma hora eu lembrei da mitologia grega e pensei que Afrodite ia emergir da água.
Para ter momentos felizes me basta aproveitar as belezas lindas do Todo Poderoso.
Com água, seja ela salgada ou doce (cachoeiras minhas lindezas), o colorido da natureza, as flores, a paisagem e as aves (para meus amigos biólogos) que para mim é passarinho mesmo, poeticamente passarinho, que me atravessa a alma e, uma brisa no rosto me renova os ânimos e a vida.
Melhor terapia que existe para esta pernambucana.


sábado, 2 de fevereiro de 2019

Choro

O choro não pede licença, ele chega.
A lágrima escorre e lava a face sem pudores.
Não regulo a alma,
ela é livre como o choro.
O corpo sim  é limitado.
Além de limitado, desgastado!
Que a alma seja livre e a face lavada!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

RESPIRO

Os tons laranja arroxeados dos fins de  tarde do cerrado
enchem de nostalgia e romantismo os olhos e a alma.
O espírito voa e paira sobre a cidade e seleciona o que observar.
O vôo, o gorjear e o bailado cortejante das aves, os animais folgando a primavera, a flora perfumada, colorida e verdejante, as músicas melodiosas, a reinação das crianças,
as declarações de amor: tanto as escancaradas como as veladas.
Um ruído interrompe o deslumbramento solitário.
A realidade retorna, o cotidiano necessário prossegue para sobreviver, continua só.