quinta-feira, 26 de julho de 2012

Pessoas

Gosto de  pessoas que me fazem sorrir no meio da tempestade,  é raro, as pessoas estão cada dia mais taciturnas.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Reflexões e relato de memória de uma docente.


O texto que se segue foi publicado em outro blog, escrito por mim. Resolvi postar aqui porque    já escrevi algumas reflexões semelhantes a esta, é a professora pensando acerca do ensino.


Ao ser solicitada a escrever para este blog relutei.
Inicialmente esclareço que este texto não é um texto científico. Ele não é um relatório de pesquisa, um artigo ou um ensaio; são reflexões  e flash de memória
 postas em um blog em linguagem “html”.
Para escrever sobre a UEMS, lutas e qualidades, pensei também em alvos. Refleti sobre meus anos de formação e de atuação profissional na Educação Básica, como professora, supervisora escolar e coordenadora pedagógica e também no movimento sindical nesta época, tanto na
rede pública quanto na privada.
Quando resolvi trabalhar na UEMS via concurso, carregava uma história profissional de 17 anos na Educação Básica e mais alguns em Instituições do Ensino Superior.
Na UEMS, não sou filiada ao sindicato da classe por opção minha, e sei que alguns professores e professoras não aprovam minha opção.
Tenho observando a distancia os debates sobre qualidade e também às reivindicações de diversos colegas.
Qual qualidade ou qualidades busca a UEMS? Qual qualidade ou qualidades buscam os docentes da instituição?
O perfil da instituição, seus objetivos, suas metas, e demais crivos de qualidade estão estabelecidos no documento oficial Plano de Desenvolvimento Institucional. O que se deseja alcançar a curto, médio e longo prazo está no documento elaborado com a participação dos docentes.
Nos diversos cursos que a UMES oferta, os marcos dos crivos de qualidade estão estabelecidos nos Projetos Pedagógicos.
As questões relativas à qualidade a serem debatidas são diversas, dentre tantas possíveis: - A qualidade proposta está sendo assegurada? Os crivos de qualidade estabelecidos são os crivos que queremos?
Ah, a qualidade! A tão debatida qualidade, desejada (creio que algumas conquistas foram realizadas).
A busca pela qualidade como sabemos, envolve um grande número de variáveis que vão desde um provento digno aos docentes e administrativos, questões estruturais e demais variáveis internas e externas.
Já se tornou um jargão discorrer que um investimento adequado na educação, ao lado de vontade política e compromisso profissional das pessoas nos diversos setores administrativos e pedagógicos (inclusive no executivo e legislativo), cumprido seus papeis e funções sociais certamente alcançaríamos um retorno satisfatório. Vontade, vontade é que um dos grandes problemas, espero um dia que vontade e ação sejam práxis  em todos os setores ).
E os alvos?
Quais seriam os alvos pessoais dos docentes da UEMS?
Como não realizei nenhuma pesquisa com esta questão problematizadora  exponho os meus:
- trabalhar em pesquisa (pouco alcançado);
- contribuir para a formação dos futuros professores atuando nas licenciaturas (satisfeito).
Procurei na UEMS, realizar minha lotação (sempre que possível) nas licenciaturas. Almejava contribuir para a formação dos futuros docentes e incentivá-los a atuar na Educação Básica (pelo menos por um tempo), sem deixar de investir em sua escolaridade.
Nos anos que aqui estou trabalhei nas licenciaturas em Letras, Matemática, Física, Química, Ciências Sociais, e atualmente Geografia e Artes Cênicas e Dança.
Meu crivo de qualidade é quando recebo depoimentos de ex-alunos: - Estou atuando em sala de aula e estou gostando.; – Estou lecionando e me preparando para a seleção de Mestrado; - Terminei o Mestrado e estou tentando o Doutorado.
Sempre comento em sala de aula que todas as ciências têm suas linhas teóricas e que existem algumas “verdades” estabelecidas  e outras “verdades” que variam conforme as escolas teóricas de cada ciência. Alguns me perguntam qual linha teórica devem seguir e  sempre respondo àquela que você se identifica e acredita ser a verdade, espero assim contribuir para que eles sejam autônomos .
Como docente gosto do quer-fazer freiriano, do conceito da dialogicidade, do conjunto de sua obra e em especial de “Pedagogia da  Autonomia”. Educação se faz com compromisso político, técnico, ético e estético.
Gosto da dialética presente nos livros de Paulo Freire, gosto da  análise que faz, do seu caminhar, revendo pontos, ideias.
Gosto de aprender ao longo da vida, na pesquisa, na literatura, nos clássicos, nas diversas tipologias textuais, nas diversas áreas, na universidade, no cotidiano, com as pessoas.
Se este texto for publicado haverá provavelmente alguns comentários, ou não. E como tenho um blog pessoal ele será postado lá também, e vou escrever aqui o que escrevo para as pessoas quando divulgo meu blog: - leiam, comentem, discordem, concordem, acrescentem.
Academia é lugar de debates, de pesquisas, de troca de saberes, local de dúvidas, de aprendizagens, de análises, de sínteses, de produção do conhecimento.
Ah, lembrei-me do Sindicato, bem é na luta sindical que  podemos observar o fenômeno da luta de classes, ou você se coloca ao lado do patronato, ou se coloca ao lado do trabalhador (claro que existem momentos de síntese), e temos que saber diferenciar o cargo, da pessoa amiga. Nosso amigo ou amiga que  está ocupando cargo de confiança, em algum momento vai ter que agir com “cabeça” de patrão e temos que aprender a diferenciar.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

D. Josefa.

O bebê de Josefa nasceu saudável e faminto após um longo trabalho de parto.
O segundo menino da família! Que felicidade! Não foi com parteira, foi no hospital por parto normal.
Alguns dias depois os familiares de Josefa perceberam que alguma coisa estava errada.
Josefa  estava apática, não chegava perto do filho, rejeita o bebê, um olhar perdido, vários comportamentos estranhos.
Procuraram socorro médico:
- Depressão pós-parto. Estágio avançado. Internação.
Mulher, pobre e negra, Josefa foi encaminhada a um hospital psiquiátrico público no final dos anos de 1970.
Um área imensa, 9 hectares, 5 deles de vegetação, um passaredo bonito ao cair da tarde e no início da manhã. Vários pavilhões, de fora uma sensação de beleza e descanso.
Dos lados internos dos muros, pouco havia mudado, os métodos psiquiátricos utilizados continuavam a ser o "sossega leão", o eletrochoque...
Grupos de homens e mulheres separados por gênero tomavam banho com o esguicho de mangueira. A água fria iria lhe aplacar os ataques...
No início Josefa recebia visitas, que diminuíram até desaparecer por completo.
Sete anos no hospital, uma tarde, Josefa teve um momento de lucidez, uma lembrança ou uma luz.
Tomou uma decisão repentina, observou que os funcionários estavam descuidados e pulou o muro, na parte em que havia grades, seminua, correu pelas ruas até chegar na casa dos pais.
Dois anos depois da  "fuga" matriculada numa sala de alfabetização de jovens e adultos, encantada por estar decodificando e imprimindo significado  à símbolos que antes não lhe fazia sentido.
Aluna participativa, sempre chegava com uma novidade, compartilhando o que  havia conseguido ler e fazendo mil perguntas a professora.
- Professora o que significa um "A", um "H" e quatro "I" de cabeça para baixo? Vi numa propaganda de refrigerante na rua.
- Professora porque nas bancas de revista tem um monte de palavras "VEJA"?
- Professora, por quê? Por quê?
A professora escutava e respondia.
Uma noite Josefa resolveu contar sua fuga para a professora.
Foi  a vez da professora perguntar:
- E me diga  D. Josefa e sua depressão?
- Foi Jesus  professora. Jesus me curou! Hoje cuido do meu filho!
- A senhora faz algum tratamento D. Josefa?
- De tantos em tantos meses vou ao hospital e o "dotô" me examina e ele me dá um papel com a data que devo voltar.
- Professora me ajude a ler esta palavra na revista que não estou conseguindo.
D. Josefa continuava pobre, morava em um  arremedo de casa, em um terreno invadido nas margens de um braço de rio.
Estava feliz porque não se achava mais uma pessoa-coisa, havia recuperado sua identidade.
A mulher se deliciava na leitura, na escrita, um sorriso diário. Suas perguntas animavam a turma.
E repetia sempre: - Só por Deus professora, só por Deus professora, estou conseguindo, Deus é bom!


por Flávia Cavalcanti Gonçalves







quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O mineirinho.

O mineirinho tinha os cachinhos dourados e o os olhos azuis.
Ela o via sempre nas reuniões que participava uma organização interdenominacional de missão para jovens.
Com o tempo começaram a conversar bastante e a amizade a se estreitar.
O mineirinho assumiu a liderança da organização naquela região.
Francisca começou a ter sentimentos amorosos em relação ao mineirinho.
As conversas se intensificaram,  começaram a passear juntos, o sentimento de Francisca era o de um amor romântico.
Conversa vai, conversa vem, o mineirinho um dia resolveu abriu o jogo.

- Francisca, não quero namorar você. Sou pobre e quero crescer na vida.
Sou líder nesta organização e estou estudando para ser um líder religioso, a única forma que vislumbro alcançar minha meta: namorar com filhas de líderes bem sucedidos financeiramente e você Francisca é uma garota pobre.

Numa tarde fria nos arredores da grande Belo Horizonte, em um retiro para jovens (no qual  a moça participava), Francisca  foi tomar um  banho, a água caiu como pedras de gelo no seu corpo de 52 kg, os ossos doeram, teve uma crise de tremor que demorou a passar. Enxugou-se, colocou a roupa se arrumou.
Francisca, não ficou gripada, não teve tuberculose, nem pneumonia.
A água gelada levou para o ralo o amor romântico.
O mineirinho mudou de estado, nunca mais Francisca soube dele, esqueceu seu nome, não sabe se o carinha alcançou  seus objetivos.
E uma tarde se encontrava no meio de uma chuvarada com gotas fortes, Francisca se lembrou do caso e sorriu, pensou... Estou começando a envelhecer, estou relembrando histórias antigas.

A escolha de um dia bom

Havia trabalhado o dia inteiro.
Já  era madrugada quando  Mônica se sentou para descansar um pouco.
Olhou pra os pés que estavam calçados com uma sandália de dedo e passou a observá-los. Estranhamente Mônica passou admirá-los.
- São até harmoniosos! Pensou a mulher.
Ficou  vários minutos naquela posição, observando os pés e pensando em sua vida.
Já adulta, em muitas ocasiões Mônica se enxergava menina e agia como tal.
Lembrou que cerca de três meses atrás algumas pessoas amigas lhe disseram:
 - Mônica, você tem um coração doce.
Intrigada com a afirmação, ela se atreveu e tomou coragem e perguntou a uma das pessoas.
- O que significa ser uma pessoa de coração doce?
- Com tudo que te acontece, você continua com um coração doce, um coração grande, que abraça as pessoas e procura ajudar. Seu olhar é cativante de uma pessoa amiga, um coração doce que procura não guardar mágoas.
Mônica agradeceu a resposta e depois ficou matutando, ser doce seria positivo ou negativo?
Olhando para os pés e pensando na resposta da indagação e dos últimos acontecimentos que lhe ocorreram, ela não estava apenas das tarefas daquele dia, mas estava cansada da vida.
Nos últimos anos sentia-se impotente e cética em relação a muitos temas.
Resolveu se banhar.  Com o chuveiro já ligado e água e espuma deslizando pelo corpo abatido, os pensamentos continuaram. Nunca se enxergou esteticamente bonita, o que lhe sobressaltava aos olhos era o que ela não gostava, algumas vezes, se olhava e penava hoje parece estar bem.
Inúmeras vezes, colegas, amigos e familiares lhe falavam:
- Mônica você é forte!
Frágil como uma folha de papel de arroz, lutando com suas dúvidas, medos, ansiedades, monstros e fantasmas, a mulher sorria e agradecia os elogios, na pseudo-segurança dos muros que cresciam dentro dela, tinha consciência que apenas era alguém que procurava viver.
Gostava das artes em geral, apesar de não ser competente em nenhuma delas, apreciava todas quando podia.
Os pensamentos de Mônica divagaram por leituras  realizadas sobre mitos e folclores de várias culturas. Educada a não acreditar em nenhuma destas histórias, porque não seria sensato crer em bruxas, vampiros, lobisomens, boitatás, fadas, duendes, Teseu, Perseu, magos e demais criaturas e histórias semelhantes... Ultimamente ela refletia de forma diferente.
- Estas histórias, personagens e criaturas representam os sentimentos e relações humanas, todos eles, dos mais belos, aos mais cruéis, dos mais sórdidos aos mais puros.  Todas as pessoas trazem em si contradições, presença de luz e de escuridão.
Resolveu ir deitar. Ao perceber no dia seguinte que a vida ainda estava presente, se levantou para mais um dia de enfrentamento e uma possibilidade infinita de escolhas.
E como existem tesouros preciosos para a mulher, na figura de amigos que ainda preferem a utilização de pouquíssimas máscaras, a mulher foi ao encontro destes para passar um dia agradável. Ela sabe que a vida é um sopro, sabe que não há como ter certeza da quantidade de dias, acredita que a vida deva ser alegre, que a vida deve ser intensa, mas, sobretudo acredita que a vida deve ser compartilhada com inteireza e sinceridade e foi abraçar pessoas amadas.
E o dia foi bom. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Amar?

Quando ele/ela chegou, foi devagar, não foi dizendo: amo você.
Foram conversas sobre trivialidades, posteriormente sobre gostos em comum, semelhanças em diversos temas. Mas não apenas semelhanças: existiam as individualidades e, portanto as diferenças.
Com o tempo os temas se aprofundam  e já se comenta não só as notícias do cotidiano, os as questões climáticas, as ansiedades, os segredos vão sendo desvelados e muito do que deveria ter sido guardado vai sendo exposto em doses homeopáticas.
O vocabulário se modifica e fica impregnado de doçura, com cheiro e sabor do doce que imaginamos desde a juventude. Doçura, carinho, acalento, cuidado, o domínio da língua escrita e oral em diversas línguas e um saber que toca as almas românticas, com músicas, filmes e literatura.
E em vários momentos aqui e ali, surgem frases que soam como melodias encantadoras, que inebriam, mesmo não querendo o/a outro/a de repente se percebe  fisgado/a. – Eu amo você. – Penso a cada minuto em você, meu amor. – Meu amor!!
Mas, o que amar? O que é amor?
Verbo ou substantivo?
Os vocábulos amar e amor foram banalizados e atualmente é muito difícil sabermos quando alguém realmente está expressando o amor, o amar, utilizando a linguagem como forma de expressão a um dos sentimentos mais belos que existe.
Amar e amor acompanham ações, e quando se ama se deseja o melhor para o/a  outro/a.
Quando não existem ações as sentenças são palavras soltas ao vento, que praticamente derrubam as pessoas como ventanias repentinas que  não esperamos,  ou como furacões que destrói tudo por onde passa.
Parafraseando Tiago, poderíamos dizer, amor é sem dúvida palavras e ação, um sem o outro não existe o amor. Sem dúvida é qualquer outro sentimento humano. Menos o amor, menos amar.  São apenas frases jogadas ao vento.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Tristeza e saudade.

Tristeza e saudade

Duas palavras que tem me acompanhado nos últimos anos: a tristeza e a saudade.
Tristeza e saudade se alternam no meu peito.
Vivo o cotidiano procurando cumprir com as tarefas necessárias aos meus papéis sociais e, sim certamente faço isso.
Mas apenas minha alma inquieta nos momentos do enfrentamento mais duro que temos que é nós com nós mesmos, são aqueles que o corpo sofre a tristeza e a lágrima escorre a saudade.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fresta - Fernando Pessoa














Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem 
Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado

Revivo, existo, conheço,
E ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.

domingo, 4 de setembro de 2011

O tempo

Mário Quintana
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
- A impressão que tenho, é que o tempo, depois de uma faixa etária corre mais depressa. Os relógios batem os mesmos segundos, minutos e horas, entretanto a sensação do corpo é diferente. A cada dia estamos mais perto da certeza da vida: a morte! E sempre acreditamos que falta mais a viver! O tempo, ah o tempo...

domingo, 29 de maio de 2011

Rememorando!

Em Recife, lecionei numa sala de alfabetização de adultos como parte de um projeto da UFPE.
A maior parte dos meus alunos morava numa "vila" embaixo de um viaduto. Vindos do interior fugindo da seca, das juras de morte das brigas entre família.
Quando alguns faltavam eu ia visitá-los na comunidade, compartilhava o café aguado adoçado com rapadura, conversava sobre a família, sobre o trabalho. Obrigação minha fazer isso, claro que não!
Mas a autoestima dos alunos quase não existia.
Quando as pessoas deixam de se enxergar como pessoas, o pouco é muito, dever vira favor e qualquer coisa é o que elas acreditam que merecem. Os valores se invertem. Não pode existir uma educação mais ou menos, a educação tem que ser com qualidade, a pública então com qualidade esmerada, mas que um direito é um dever dos governantes e dos trabalhadores na área.
Que eu nunca perca a sensibilidade, que eu nunca pense que sou melhor que as outras pessoas! Posso ter outros gostos, outros saberes, outra história, que eu sempre me reconheça através dos olhos de alguém, uma pessoa, um ser humano, enfim GENTE!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Desafio! Desafios!

Qual teu maior desafio?
Atualmente os desafios que enfrento é acreditar que sou capaz de seguir adiante em cada situação que se apresenta.
Antes tinha mais disposição: na luta, nos sonhos, nos embates.

Versatilidade era uma das minhas qualidades
Como ando cansada....

Um dia quem sabe fico um tempo só nos verdes pastos, ao som de águas tranquilas e ao gorjear da passarada!
O corpo e a mente pede passagem.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Choro

Há meses não chorava, aquele choro, chorado, quase uma enchente. Semelhante quando a previsão do tempo informa: - Amanhã choverá torrencialmente.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Reflexões


Por um tempo me afastei da literatura: prosas, contos, romances...ah as poesias, poesias que me alimentam.
O tempo era curto, trabalhava, trabalhava, trabalhava... lia, lia: apenas livros técnicos.
Literatura, música, dança, teatro, pintura, escultura, como me fazia falta.


Vez ou outra mergulho em outra dimensão.
Nela tento escrever.
Escolher as palavras para descrever o que sinto, o que sou, o que vejo.
Não sou uma profissional da escrita.
A dimensão surge quando as palavras dançam em minha mente, misturadas com as impressões de tudo que já vivi e observei.
A poesia me ajuda a ser mais humana, a enxergar o outro.
Ainda posso fazer escolhas, alguns não podem mais.
Quisera sempre fazer escolhas certas.
Quisera sempre enxergar o outro em suas possibilidades, em suas limitações.
Quisera nunca mais me afastar da arte, da sensibilidade, do que me faz mais humana do que me adoça.
A poesia do pássaro pousando na água.
A poesia do entardecer.
A poesia das brincadeiras dos pequenos no parque.
Da mão que afaga.
Da boca que beija.
Do trabalho e do carinho.
A poesia de quem fala, chora, defende, rir, vive e morre em paz.
Das flores no banco da praça, das flores da praça. da flor que sou eu, dos espinhos que me ensinam, da luz que me sustenta.

por Flávia Cavalcanti Gonçalves

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Convite

Recebi um e-mail, ao lê-lo fiquei emocionada:
"Eu, em nome da turma, gostaria de te convidar para a cerimônia de colação de grau e festa de formatura. Mas ao contrário dos outros convites que fizemos, tenho a felicidade de lhe dizer que o seu não esta aberto a não aceitação, pois, você será nossa professora homenageada, diga-se de passagem, não existiu ninguém mais responsável do que você pela nossa formação... então nada mais justo!!!
Esperamos ansiosos sua confirmação rsrsrs...
Beijos"
Seguia as datas e os horários.
O convite da turma de Licenciados em História me emocionou por vários motivos, um deles é que sou formada em Pedagogia e não em História, portanto lecionei as disciplinas pedagógicas.
Trabalhar em cursos que não são de sua formação inicial é sempre um desafio, é necessário compreender que o curso é de Licenciatura, de formação de professores mas, não é Pedagogia, encontrar textos que atendam a ementa e ao mesmo tempo as necessidades de formação da licenciatura específica nem sempre é fácil!
Meu encontro com o curso de História, como professora ocorreu em outubro de 2006, escrevo como professora porque enquanto estudante de pedagogia fui bolsista da UFPE no Programa de Mestrado em História, trabalhava na biblioteca e convivi com vários professores e estudantes, fazendo algumas amizades.
O meu encontro com o curso de História coincidiu com uma fase de inúmeras mudanças na minha vida e pela depressão, doença difícil e não facilmente diagnosticada.
Esta turma de História de 2010 me acompanhou em várias fases, fiz amigos e amigas e fui professora sempre que possível.
Professora sempre que possível, pois jamais escondi a condição pela qual passava e também não deixei de cumprir minha função enquanto professora na relação que se estabelece no ensino e na aprendizagem e, sobretudo na relação educador-educando, educando-educador.
Acredito que de tudo compartilhei sobre: legislações, teorias psicológicas, teorias de ensino, métodos e técnicas didáticas com leituras, filmes e trabalhos nem sempre agradáveis, compartilhei, sobretudo que estudar nem sempre é fácil mas essencial para o ofício do professor.
Compreender que é necessário estudar e continuar estudando é uma atitude que não é muito fácil, não somos poços de sabedoria e não entendemos tudo, estamos sempre nos aproximando do objeto que estamos estudando, mas nunca o conhecemos em sua totalidade.
Compartilhei também o que acredito sobre o ensino e sobre a educação, que é nossa posição enquanto professores que faz a diferença, a responsabilidade de contribuir para que se cumpra a função social da escola que é ensinar e não brincar de faz de conta, de o professor fingir que se ensina e os alunos fingirem que aprendem.
Que a relação em sala de aula se estabelece com respeito, diálogo, autocrítica, saberes e não com totalitarismo.
Fiquei emocionada...
Passamos pelas pessoas, agradamos e não agradamos, estabelecemos vínculos e algumas vezes ou muitas vezes, dependendo da quantidade de pessoas com as quais temos contato, não sabemos o quanto influenciamos positiva ou negativamente alguém.
Nesta pós-modernidade permeada pelo consumismo, pelas relações ocasionais, pela individualidade, pela virtualidade, aprender a conviver e nos dispor a conhecer um pouco mais o outro está se tornando difícil. Escravos do tempo e do trabalho, deixamos muitas vezes de gastar tempo como pessoas com as pessoas.
A aluna que me enviou o e-mail me convidou para fazer parte da sua banca de monografia, ao término de sua defesa me apresentou a sua mãe com as seguintes palavras: - Professora esta é minha mãe. - Mãe, esta é minha mãe aqui na universidade.
Agradeço a Dani e a todos os alunos e alunas da turma e o que desejo para eles enquanto profissionais do ensino de História é que sejam comprometidos com o ensino, com a educação e principalmente com seus alunos, ensinar sempre será um ato político, e o saber continua sendo poder, quanto menos se tem acesso mais dominadas são as pessoas.
Beijos

sábado, 5 de fevereiro de 2011

As águas


Os rios correm para o mar mesmo quando as águas estão turvas!
Quando as águas da minha vida estão turvas e parece que nada é possível, corro para águas mais limpas e cristalinas que a minha e mergulho até me sentir renovada.
Ao caminhar ao longo do rio da minha terra natal em um entardecer fiquei observando pássaros que pairavam sobre o espelho das águas, a luz do por do sol e o conjunto da paisagem mostrava uma face bucólica e bela de um rio que insiste em viver.
Águas podem ser vida e morte, dualidade presente em muitas histórias vivenciadas nas relações com as águas, com as diversas águas de nossa vida e da nossa sobrevivência.
Como os pássaros no rio... sempre temos possibilidades de (re)novo, mesmo quando as águas estão turvas!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Viagem

2011 em Pernambuco, Nordeste que não visitava, 5 anos de distância!
Visito Pernambuco como alguém da terrinha e, com um olhar semelhante ao de uma turista.
Só guardo boas lembranças, as ruins prefiro esquecer.
Passeio pelas ruas, observando cores e cheiros, formas e sons.
As frutas próprias da região....
Os sabores da terra....
Ontem ganhei um livro, uma coletânea de poetas pernambucos! Uma maravilha... concluo este breve post
com um trecho de "O Rio" de Farias Neves Sobrinho ".... E eu penso em mim, nas ilusões fanadas, sempre desfeitas, sempre renovadas...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Outubro Rosa










Com atraso e, reproduzindo aqui informações presentes na Internet, não poderia deixar de registrar o movimento Outubro Rosa, que tem como objetivo de alertar a sociedade sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama.
O movimento Outubro Rosa nasceu nos EUA e a ação lembra à cor do laço rosa que simboliza a luta contra o câncer de mama. Envolvendo vários setores da sociedade e órgãos governamentais, atualmente vários monumentos e prédios são iluminados de rosa para lembrar a causa.


O câncer que mais mata mulheres em todo o mundo, pode se manifestar de três formas: o mais frequente o Carcinoma Ductal, acomete os ductos mamários; o Carcinoma Lobular que acomete os lóbulos das mamas e geralmente acomete as duas mamas e o Carcinoma Inflamatório que compromete toda a mama.

A Lei Federal 11.664, garante o acesso ao exame mamográfico pelo SUS (Sistema Único de Saúde) a mulheres a partir de 40 anos de idade, recomenda-se que caso a mulher tenha histórico familiar de câncer de mama, o exame mamográfico deve iniciar mais cedo.
Caso as mamas sejam densas (com pouca gordura) é necessário também a mulher realizar o ultrassom das mamas.

É fundamental que a mulher se ame, realize o autoexame das mamas, a mamografia e o ultrassom caso seja necessário, não levando em consideração comentários de pessoas mais chegadas que porventura possam desestimular a ida da mulher ao médico para realizar os exames necessários. Apareceu alguma alteração nas mamas? Algum nódulo, inchaço, vermelhidão, secreção? Vá ao médico não seja influenciada por ninguém que procure desestimulá-la ao contrário, você é importante!
A doença não é preconceituosa acomete mulheres de todas as classes sociais, profissões e a maioria das etnias.
Assistam o documentário sobre câncer de mama.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

When darkness comes and pain is all around

Quando a escuridão e a dor estiver em toda parte...


Quando Elvis Presley surgiu cantando, dançando e rebolando, o mundo o abraçou e grande parte da igreja o criticou e o rejeitou.
Vivenciando conflitos, pressões internas e externas, Elvis viu a escuridão e a dor por toda a parte. O dinheiro, o sucesso, a fama não aplacava suas dúvidas e nem suas dores.
Geralmente incluía hinos nos seus shows e difundia a mensagem presente nas letras, alcançando milhares de pessoas. Pastores e grupo coral muitas vezes o acompanhavam
A edição 108 da Revista Eclesia apresenta uma longa matéria sobre Elvis que pode ser acessada e lida no site da própria revista, http://www.eclesia.com.br/revistadet1.asp?cod_artigos=232 . O editor comenta: Elvis Presley teria morrido salvo? Esta é a pergunta sem resposta que muitos crentes têm feito nos últimos 28 anos, desde que o Rei do Rock se foi, em 1977. Quem sou para dizer se uma pessoa é salva ou não? Posso apenas afirmar que uma pessoa não interpreta a Bíblia e não segue a mesma doutrina que eu! Muitos se colocam no lugar do SENHOR!
Neste hino que escolhi para este post, Elvis está praticamente se despedindo do seu público (pouco tempo depois Elvis morre), a interpretação é linda e a expressão no seu rosto demonstra todo o sentimento que vem de sua alma.
Hoje num mundo musical gospel, com gêneros para todos os gostos, megashows, danças, cantores profissionais, Elvis não seria tão alvejado, certamente por sua voz marcante e sua interpretação ao entoar música gospel seria convidado para programas em diversas redes de televisão para cantar seu repertório mesclado.
Bono Vox, vocalista da Banda U2, ultimamente tem sido alvo de especulação sobre a autenticidade de sua espiritualidade por cantar em seus shows músicas gospel e recitar trechos dos salmos. Por acaso os frequentadores de igreja são os únicos que podem recitar salmos ou louvar e adorar ao SENHOR. Parece-me que os frequentadores de igreja (eu sou uma) esquecem que a Palavra deve ser pregada a tempo e fora de tempo e não importa quem leva a Palavra, porque apesar de muitos pregadores pensarem que são eles os responsáveis pelas conversões e arrependimentos das pessoas, não o são. O que transforma vidas é a Palavra, o que transforma vidas é o SENHOR.
Temos a cultura de dividir o mundo entre o que é espiritual e o que não é espiritual. Cozinhar é espiritual? Orar é espiritual? Trabalhar é espiritual? Jejuar é espiritual? O que você é? Se adoramos ao SENHOR e somente ao SENHOR tudo o que fazemos é para ELE. Se acreditamos que ELE é onipotente, onisciente e onipresente, sabemos também que ELE nos conhece melhor do que nós mesmos, e que quando a dor e a escuridão está em toda a parte, ELE é o nosso porto, nosso escudo, nosso refúgio.

domingo, 5 de setembro de 2010

As muitas línguas do Brasil

Um país com 220 etnias, 180 línguas e dialetos (além do português a língua oficial) diversidade e riqueza cultural imensa infelizmente desconhecida por grande parte dos não-índios. Ainda me espanta o (pré)conceito, a discriminação e o desconhecimento: índio é só aquele que vive em reserva, e da forma do imaginário que foi criado e difundido ao longo dos anos de colonização.
Para quem se interessa em aprender algo mais a ONG - Instituto Socioambiental, disponibiliza um link muito interessante "POVOS INDÍGENAS NO BRASIL", http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao
Na Universidade em que trabalho, existe uma cota para indígenas, lecionei e continuo lecionando para alunos das etnias Terena e Guarani-Kaiowá experiência rica que me faz crescer.
No Mato Grosso do Sul são oito etnias: Atikum, Guarani-Kaiowá, Guató, Kamba, Kikinau, Kadiweú, Ofaié e Terena.
A Série Índios do Brasil apresentada por Ailton Krenak é muito boa e demonstra infelizmente o desconhecimento das etnias e o (pré)conceito em todas as regiões do país em pleno século XXI; denominando-os como preguiçosos, quase humanos, bugres e outras denominações de desrespeito ao outro.
Para quem desejar assistir alguns episódios da série é só clicar nos links abaixo: