Bendita seja a água morna do meu mar
mergulho e as águas salgadas se misturam, fico na água até a pele ficar mais encarquilhada do que já está gosto muito de ir sozinha, ao meu redor as pessoas vivem seus momentos especiais em seus mundos particulares, o olhar anda opaco, a pele sem viço, vaidades virou realmente sinônimo de futilidades. Bendita seja a água do meu mar, mergulho e as águas salgadas se misturam e as pessoas interagem em seus grupos presenciais e virtuais. Bendita seja a água do meu mar no qual as águas salgadas se misturam e que eu não preciso ficar dando explicações para ninguém, Bendita seja a água do meu mar no qual as águas salgadas se misturam e que eu alivio minha aflição É a água salgada que adocica minha existência. |
domingo, 22 de abril de 2018
Meu Mar
Meu Mar
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Existência
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As marcas, cicatrizes e manchas.
Os espaços vazios e os inchaços. As fragilidades. Os passos cuidadosos. As ites, uma coleção delas. As revoluções mentais: um borbulhar de pensamentos, sentimentos, ideias e ideais. Aqui e ali um pequeno sonho, um "sonhozinho"
A mal/bem dita razão não a deixa esquecer (em tempo algum)
Passou a se interessar pelo despercebido
Contempla o que para outros é corriqueiro
|
terça-feira, 19 de setembro de 2017
Como é grande o meu amor por você
Eu tenho tanto para lhe falar,
Mas com palavras não sei dizer la rá la lá lá....
Mas com palavras não sei dizer la rá la lá lá....
Ao retornar do colégio ou de outros destinos que fazia com regularidade, cruzava a Vila dos Comerciários para alcançar a Rua São Vicente, situada no bairro da Tamarineira, meu endereço por 18 anos.
Em uma das vias cruzava sempre com um adolescente um pouco mais velho que eu, ele sempre acompanhado do seu melhor amigo, o violão.
Com um certo desconforto e timidez e talvez por não saber como falar comigo recebi por outras mãos de presente a letra de Como é grande o meu amor por você em uma caligrafia caprichada e devidamente cifrada para violão.
A balada de Roberto foi lançada em 1967 porém ainda tocava nos bailinhos da década de 1970, cuja letra fazia o papel de declarações de românticos apaixonados.
E assim tal qual os versos de Cyrano de Bergerac declamado por Cristiano, as letras das canções auxiliava os Cristianos do bairro, mas pela timidez do que pela capacidade autoral.
Como nem tudo é como pensamos e tal qual a Quadrilha de Drummond, mais tarde cantada por Chico em Flor de Idade, as vezes as flechas das paixões ficam confusas e, meu coração adolescente descompassava por outro.
Os anos passaram, os adolescentes viraram jovens e cada qual fez suas escolhas. Alguns resolveram fazer experimentações misturando substâncias para uso pessoal: pico, maconha, loló e álcool. Utilizados de forma furtiva ou abertamente infelizmente muito cedo alguns partiram.
Um domingo retornando da igreja que congregava , descendo na mesma parada de ônibus que ficava em frente ao Cine Coliseu que para minha tristeza anos depois o espaço virou um mercado, cruzando as ruelas da Vila dos Comerciários, encontro o jovem fumando um baseado, encostado em um carro e ao seu lado o violão.
Eu nunca me encantei por cigarros de qualquer natureza, minha paixão sempre foi a celulose mas não aquelas que são utilizadas para bolar mas as que são registadas e ilustradas histórias e encantos, sempre viajo e experiencio diversas sensações através das páginas dos livro que leio.
- Flavinha tá vindo da igreja?
- Oi, tô sim, tudo bem?
- Se incomoda com o cigarro?
- Pode continuar fumando, tudo bem?
- Quero lhe perguntar algo.
- Diga.
- Dormiria com um homem sem casar?
- ???!???!???!??
- Isso que ouviu. Sabe você não é nenhuma modelo, sabe... Mas... Não sei... Eu acho...
Meu colega perdeu a timidez e não "arrodeou" como um pernambucano da época, foi direto na aorta.
Preferi no momento que ouvi a letra do Roberto Carlos, mesmo sabendo que não era todo o amor do mundo e muito menos maior do que o céu, o mar e a Terra.
Continuo não sendo a modelo (nunca fui ele tinha razão). Desengonçada e estabanada no meu Infinito Particular e hoje com sulcos, marcas e tonalidades adquiridas pelo tempo, lembro da caligrafia caprichada e das cifras cuidadosamente colocadas acima da sílaba certa, da expressão de carinho na letra da canção.
Depois enfim de tantas ilusões fanadas, sempre desfeitas, sempre renovadas o sentimento amoroso é meu companheiro da solidão. Da solidão diária de quem já não cria expectativas e que se refugia na música, na literatura e na natureza que preenchem um pouco as lacunas e ameniza cansaços e dore.
Referências a: Roberto Carlos, Chico Buarque, Carlos Drummond de Andrade, Marisa Monte, Cyrano de Bergerac, Farias Neves Sobrinho.
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Bem-que-te-avisei
Bem-te-vi gorjeia ao entardecer, despreocupadamente, pousado em um fio.
Bem-te-vi.Bem-te-vi.
A mulher recostada esperando o transporte urbano, em seus devaneios vez ou outra escuta.
- Bem-que-te-avisei.
- Bem-que-te-avisei.
O bem-te-vi levanta voo, o ônibus chega, a mulher segue em seu intimo, replicando a cantinela.
- Te avisei, te avisei, te avisei!
A mulher recostada esperando o transporte urbano, em seus devaneios vez ou outra escuta.
- Bem-que-te-avisei.
- Bem-que-te-avisei.
O bem-te-vi levanta voo, o ônibus chega, a mulher segue em seu intimo, replicando a cantinela.
- Te avisei, te avisei, te avisei!
Gargalhada
Gargalha,
do alto de sua magestade,
Me observa e gargalha.
Ao longe,
Me observa e gargalha.
Ao longe,
sou insignificante e impotente,
arqueada pelo tempo,
lampejos de memórias grudados nas marcas do corpo.
Saudades de fatos não vividos
Consequência da covardia,
Me calei.
Ouço a gargalhada,
me limito a observar.
Já não existe oportunidade,
fiquei no passado.
arqueada pelo tempo,
lampejos de memórias grudados nas marcas do corpo.
Saudades de fatos não vividos
Consequência da covardia,
Me calei.
Ouço a gargalhada,
me limito a observar.
Já não existe oportunidade,
fiquei no passado.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
1964.
1964, revolução ou golpe? 49 anos depois existem partidários de ambos os conceitos.
Morava na casa de meu avô materno, integralista de coração e sobrinha neta de um comunista convicto.
Ainda criança, as notícias de prisões e torturas chegavam a mim primeiro por reações de tristeza, preocupações e lágrimas que escorriam pelos olhos dos meus avós, tias e minha mãe, depois alguém me contava que um parente se encontrava preso.
Devia estar com uns 4 ou 5 anos, quando meu avô ficou preso alguns meses em um quartel perto da Faculdade de Direito do Recife, uma tia minha tentou vê-lo sem sucesso. E vovô era funcionário da Agência Nacional, anos depois quando morreu ainda no governo militar, presentearam uma rua do Pina, com o nome Jornalista João Uchôa (nem sei se ainda tem este nome).
Meu tio-avô foi preso mais de uma dezena de vezes por ser membro do PCB, ele e outros familiares.
Cresci sem gostar de ditaduras, nem de esquerda e nem de direita e de nenhum tipo de ditadura seja ela qual for.
Gosto do debate, da expressão, gosto de defender os direitos que estão garantidos na Constituição Federal do país em que vivo, em especial os que diz respeito aos básicos para viver com dignidade. Como as pessoas nos enxergam conforme seus conceitos, ora sou tachada de reacionária, ora de subversiva.
Sigo apenas entendendo que os impostos recolhidos (como tem taxação neste país, além de políticos muito caros), devem ser revertidos em prol da sociedade. Além de entender que governantes são gestores públicos, eleitos pelo povo, que não possuem cargo ad eternum (democracia) e que não podem ser considerados "donos" de um município, estado ou país.
1964, também é o ano em que Martin Luther King recebe o Prêmio Nobel da Paz, sua luta em prol do direito civis dos negros dos EUA, e é algo que nunca consegui entender como um país de maioria cristã em pleno século XX considerava pessoas inferiores pela cor da pele (Se bem que isso aconteceu em outros países, quem entende o coração humano?).
Estamos em 2013 os regimes políticos mudaram, existe um afrodescendente no governo dos EUA e, continuamos nós, muitos brasileiros, sentindo indignação pela gestão das verbas públicas.
por Flávia Cavalcanti Gonçalves
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Canções
O I Festival de Música Popular Brasileira de 1965, classificou em primeiro lugar, Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes na linda voz de Elis Regina, mas como não existe concordância com tudo, é o segundo lugar, que posto a letra, mais uma do "poetinha", Vinicius de Moraes em parceria com Baden Powell e interpretada por Elizete Cardoso.
Canção do Amor Que Não Vem
Ah, soubesse eu te contar
Toda amargura
De não poder te dar
Tanta ternura
Ah, soubesse eu nunca te contar
Ah, pudesse eu te dizer
Toda tristeza
De estar sempre esperando
Uma incerteza
E nada poder
Nem desesperar
Oh, triste caminho do coração
Que ama sozinho
Que coisa triste
Amar sozinho
Quanta solidão
Ah, pudesses entrever
Minha ansiedade
Depois de um dia de saudade
De uma noite inteira a soluçar
Vem! Não tardes mais
Amor, que eu vivo procurando
Quando vais chegar?
Eu sei que chegarás
Ah, pudesse eu pôr a teus pés
A minha vida
Amor, por quem tu és
Oh, vem
Não tarde mais
Sim, por favor
Façam silêncio
Meu amor vem em silêncio
Quando ele por mim passar
Toda amargura
De não poder te dar
Tanta ternura
Ah, soubesse eu nunca te contar
Ah, pudesse eu te dizer
Toda tristeza
De estar sempre esperando
Uma incerteza
E nada poder
Nem desesperar
Oh, triste caminho do coração
Que ama sozinho
Que coisa triste
Amar sozinho
Quanta solidão
Ah, pudesses entrever
Minha ansiedade
Depois de um dia de saudade
De uma noite inteira a soluçar
Vem! Não tardes mais
Amor, que eu vivo procurando
Quando vais chegar?
Eu sei que chegarás
Ah, pudesse eu pôr a teus pés
A minha vida
Amor, por quem tu és
Oh, vem
Não tarde mais
Sim, por favor
Façam silêncio
Meu amor vem em silêncio
Quando ele por mim passar
E depois desta letra não há mais nenhum comentário a fazer.
por Flávia Cavalcanti Gonçalves
sábado, 30 de março de 2013
1963, Kennedy e eu.
Minha mãe, como tantas outras jovens de sua época, era fascinada por John Kennedy, o presidente dos Estudos Unidos da América do Norte, tinha um jeitão de galã de cinema.
Lembro até aproximadamente a idade de 6 anos de uma revista devidamente ensacada e guardada com carinho e devoção em um canto do pequeno guarda-roupa que eu e mamãe dividíamos.
Lembro até aproximadamente a idade de 6 anos de uma revista devidamente ensacada e guardada com carinho e devoção em um canto do pequeno guarda-roupa que eu e mamãe dividíamos.
A revista trazia a reportagem da fatalidade do assassinato de John Kennedy e muitas outras fotos de sua trajetória.
Como aprendi a ler muito cedo, um dia foi me dado o direito de ler a reportagem, com muito cuidado para não estragar as folhas da revista. Minha memória não ajuda, e sinceramente não lembro se era a "Manchete" ou a "Fatos e Fotos".
Como aprendi a ler muito cedo, um dia foi me dado o direito de ler a reportagem, com muito cuidado para não estragar as folhas da revista. Minha memória não ajuda, e sinceramente não lembro se era a "Manchete" ou a "Fatos e Fotos".
Certamente 1963 foi um ano marcante para mamãe, eu nasci e Kennedy morreu.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Pessoas
Gosto de pessoas que me fazem sorrir no meio da tempestade, é raro, as pessoas estão cada dia mais taciturnas.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Reflexões e relato de memória de uma docente.
O texto que se segue foi publicado em outro blog, escrito por mim. Resolvi postar aqui porque já escrevi algumas reflexões semelhantes a esta, é a professora pensando acerca do ensino.
Ao ser
solicitada a escrever para este blog relutei.
Inicialmente
esclareço que este texto não é um texto científico. Ele não é um relatório de
pesquisa, um artigo ou um ensaio; são reflexões
e flash de memória
postas em um blog em linguagem “html”.
Para
escrever sobre a UEMS, lutas e qualidades, pensei também em alvos. Refleti
sobre meus anos de formação e de atuação profissional na Educação Básica, como
professora, supervisora escolar e coordenadora pedagógica e também no movimento
sindical nesta época, tanto na
rede pública
quanto na privada.
Quando
resolvi trabalhar na UEMS via concurso, carregava uma história profissional de
17 anos na Educação Básica e mais alguns em Instituições do Ensino Superior.
Na UEMS, não
sou filiada ao sindicato da classe por opção minha, e sei que alguns
professores e professoras não aprovam minha opção.
Tenho
observando a distancia os debates sobre qualidade e também às reivindicações de
diversos colegas.
Qual
qualidade ou qualidades busca a UEMS? Qual qualidade ou qualidades buscam os
docentes da instituição?
O perfil da
instituição, seus objetivos, suas metas, e demais crivos de qualidade estão
estabelecidos no documento oficial Plano de Desenvolvimento Institucional. O
que se deseja alcançar a curto, médio e longo prazo está no documento elaborado
com a participação dos docentes.
Nos diversos
cursos que a UMES oferta, os marcos dos crivos de qualidade estão estabelecidos
nos Projetos Pedagógicos.
As questões
relativas à qualidade a serem debatidas são diversas, dentre tantas possíveis:
- A qualidade proposta está sendo assegurada? Os crivos de qualidade
estabelecidos são os crivos que queremos?
Ah, a
qualidade! A tão debatida qualidade, desejada (creio que algumas conquistas
foram realizadas).
A busca pela
qualidade como sabemos, envolve um grande número de variáveis que vão desde um
provento digno aos docentes e administrativos, questões estruturais e demais
variáveis internas e externas.
Já se tornou
um jargão discorrer que um investimento adequado na educação, ao lado de
vontade política e compromisso profissional das pessoas nos diversos setores administrativos
e pedagógicos (inclusive no executivo e legislativo), cumprido seus papeis e
funções sociais certamente alcançaríamos um retorno satisfatório. Vontade,
vontade é que um dos grandes problemas, espero um dia que vontade e ação sejam
práxis em todos os setores ).
E os alvos?
Quais seriam
os alvos pessoais dos docentes da UEMS?
Como não
realizei nenhuma pesquisa com esta questão problematizadora exponho os meus:
- trabalhar
em pesquisa (pouco alcançado);
- contribuir
para a formação dos futuros professores atuando nas licenciaturas (satisfeito).
Procurei na
UEMS, realizar minha lotação (sempre que possível) nas licenciaturas. Almejava
contribuir para a formação dos futuros docentes e incentivá-los a atuar na
Educação Básica (pelo menos por um tempo), sem deixar de investir em sua
escolaridade.
Nos anos que
aqui estou trabalhei nas licenciaturas em Letras, Matemática, Física, Química,
Ciências Sociais, e atualmente Geografia e Artes Cênicas e Dança.
Meu crivo de
qualidade é quando recebo depoimentos de ex-alunos: - Estou atuando em sala de
aula e estou gostando.; – Estou lecionando e me preparando para a seleção de
Mestrado; - Terminei o Mestrado e estou tentando o Doutorado.
Sempre
comento em sala de aula que todas as ciências têm suas linhas teóricas e que
existem algumas “verdades” estabelecidas
e outras “verdades” que variam conforme as escolas teóricas de cada
ciência. Alguns me perguntam qual linha teórica devem seguir e sempre respondo àquela que você se identifica
e acredita ser a verdade, espero assim contribuir para que eles sejam autônomos
.
Como docente
gosto do quer-fazer freiriano, do conceito da dialogicidade, do conjunto de sua
obra e em especial de “Pedagogia da
Autonomia”. Educação se faz com compromisso político, técnico, ético e
estético.
Gosto da
dialética presente nos livros de Paulo Freire, gosto da análise que faz, do seu caminhar, revendo
pontos, ideias.
Gosto de
aprender ao longo da vida, na pesquisa, na literatura, nos clássicos, nas
diversas tipologias textuais, nas diversas áreas, na universidade, no
cotidiano, com as pessoas.
Se este
texto for publicado haverá provavelmente alguns comentários, ou não. E como
tenho um blog pessoal ele será postado lá também, e vou escrever aqui o que
escrevo para as pessoas quando divulgo meu blog: - leiam, comentem, discordem,
concordem, acrescentem.
Academia é
lugar de debates, de pesquisas, de troca de saberes, local de dúvidas, de
aprendizagens, de análises, de sínteses, de produção do conhecimento.
Ah,
lembrei-me do Sindicato, bem é na luta sindical que podemos observar o fenômeno da luta de
classes, ou você se coloca ao lado do patronato, ou se coloca ao lado do
trabalhador (claro que existem momentos de síntese), e temos que saber
diferenciar o cargo, da pessoa amiga. Nosso amigo ou amiga que está ocupando cargo de confiança, em algum
momento vai ter que agir com “cabeça” de patrão e temos que aprender a diferenciar.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
D. Josefa.
O bebê de Josefa nasceu saudável e faminto após um longo trabalho de parto.
O segundo menino da família! Que felicidade! Não foi com parteira, foi no hospital por parto normal.
Alguns dias depois os familiares de Josefa perceberam que alguma coisa estava errada.
Josefa estava apática, não chegava perto do filho, rejeita o bebê, um olhar perdido, vários comportamentos estranhos.
Procuraram socorro médico:
- Depressão pós-parto. Estágio avançado. Internação.
Mulher, pobre e negra, Josefa foi encaminhada a um hospital psiquiátrico público no final dos anos de 1970.
Um área imensa, 9 hectares, 5 deles de vegetação, um passaredo bonito ao cair da tarde e no início da manhã. Vários pavilhões, de fora uma sensação de beleza e descanso.
Dos lados internos dos muros, pouco havia mudado, os métodos psiquiátricos utilizados continuavam a ser o "sossega leão", o eletrochoque...
Grupos de homens e mulheres separados por gênero tomavam banho com o esguicho de mangueira. A água fria iria lhe aplacar os ataques...
No início Josefa recebia visitas, que diminuíram até desaparecer por completo.
Sete anos no hospital, uma tarde, Josefa teve um momento de lucidez, uma lembrança ou uma luz.
Tomou uma decisão repentina, observou que os funcionários estavam descuidados e pulou o muro, na parte em que havia grades, seminua, correu pelas ruas até chegar na casa dos pais.
Dois anos depois da "fuga" matriculada numa sala de alfabetização de jovens e adultos, encantada por estar decodificando e imprimindo significado à símbolos que antes não lhe fazia sentido.
Aluna participativa, sempre chegava com uma novidade, compartilhando o que havia conseguido ler e fazendo mil perguntas a professora.
- Professora o que significa um "A", um "H" e quatro "I" de cabeça para baixo? Vi numa propaganda de refrigerante na rua.
- Professora porque nas bancas de revista tem um monte de palavras "VEJA"?
- Professora, por quê? Por quê?
A professora escutava e respondia.
Uma noite Josefa resolveu contar sua fuga para a professora.
Foi a vez da professora perguntar:
- E me diga D. Josefa e sua depressão?
- Foi Jesus professora. Jesus me curou! Hoje cuido do meu filho!
- A senhora faz algum tratamento D. Josefa?
- De tantos em tantos meses vou ao hospital e o "dotô" me examina e ele me dá um papel com a data que devo voltar.
- Professora me ajude a ler esta palavra na revista que não estou conseguindo.
D. Josefa continuava pobre, morava em um arremedo de casa, em um terreno invadido nas margens de um braço de rio.
Estava feliz porque não se achava mais uma pessoa-coisa, havia recuperado sua identidade.
A mulher se deliciava na leitura, na escrita, um sorriso diário. Suas perguntas animavam a turma.
E repetia sempre: - Só por Deus professora, só por Deus professora, estou conseguindo, Deus é bom!
por Flávia Cavalcanti Gonçalves
O segundo menino da família! Que felicidade! Não foi com parteira, foi no hospital por parto normal.
Alguns dias depois os familiares de Josefa perceberam que alguma coisa estava errada.
Josefa estava apática, não chegava perto do filho, rejeita o bebê, um olhar perdido, vários comportamentos estranhos.
Procuraram socorro médico:
- Depressão pós-parto. Estágio avançado. Internação.
Mulher, pobre e negra, Josefa foi encaminhada a um hospital psiquiátrico público no final dos anos de 1970.
Um área imensa, 9 hectares, 5 deles de vegetação, um passaredo bonito ao cair da tarde e no início da manhã. Vários pavilhões, de fora uma sensação de beleza e descanso.
Dos lados internos dos muros, pouco havia mudado, os métodos psiquiátricos utilizados continuavam a ser o "sossega leão", o eletrochoque...
Grupos de homens e mulheres separados por gênero tomavam banho com o esguicho de mangueira. A água fria iria lhe aplacar os ataques...
No início Josefa recebia visitas, que diminuíram até desaparecer por completo.
Sete anos no hospital, uma tarde, Josefa teve um momento de lucidez, uma lembrança ou uma luz.
Tomou uma decisão repentina, observou que os funcionários estavam descuidados e pulou o muro, na parte em que havia grades, seminua, correu pelas ruas até chegar na casa dos pais.
Dois anos depois da "fuga" matriculada numa sala de alfabetização de jovens e adultos, encantada por estar decodificando e imprimindo significado à símbolos que antes não lhe fazia sentido.
Aluna participativa, sempre chegava com uma novidade, compartilhando o que havia conseguido ler e fazendo mil perguntas a professora.
- Professora o que significa um "A", um "H" e quatro "I" de cabeça para baixo? Vi numa propaganda de refrigerante na rua.
- Professora porque nas bancas de revista tem um monte de palavras "VEJA"?
- Professora, por quê? Por quê?
A professora escutava e respondia.
Uma noite Josefa resolveu contar sua fuga para a professora.
Foi a vez da professora perguntar:
- E me diga D. Josefa e sua depressão?
- Foi Jesus professora. Jesus me curou! Hoje cuido do meu filho!
- A senhora faz algum tratamento D. Josefa?
- De tantos em tantos meses vou ao hospital e o "dotô" me examina e ele me dá um papel com a data que devo voltar.
- Professora me ajude a ler esta palavra na revista que não estou conseguindo.
D. Josefa continuava pobre, morava em um arremedo de casa, em um terreno invadido nas margens de um braço de rio.
Estava feliz porque não se achava mais uma pessoa-coisa, havia recuperado sua identidade.
A mulher se deliciava na leitura, na escrita, um sorriso diário. Suas perguntas animavam a turma.
E repetia sempre: - Só por Deus professora, só por Deus professora, estou conseguindo, Deus é bom!
por Flávia Cavalcanti Gonçalves
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O mineirinho.
O mineirinho tinha os cachinhos dourados e o os olhos azuis.
Ela o via sempre nas reuniões que participava uma organização interdenominacional de missão para jovens.
Com o tempo começaram a conversar bastante e a amizade a se estreitar.
O mineirinho assumiu a liderança da organização naquela região.
Francisca começou a ter sentimentos amorosos em relação ao mineirinho.
As conversas se intensificaram, começaram a passear juntos, o sentimento de Francisca era o de um amor romântico.
Conversa vai, conversa vem, o mineirinho um dia resolveu abriu o jogo.
- Francisca, não quero namorar você. Sou pobre e quero crescer na vida.
Sou líder nesta organização e estou estudando para ser um líder religioso, a única forma que vislumbro alcançar minha meta: namorar com filhas de líderes bem sucedidos financeiramente e você Francisca é uma garota pobre.
Numa tarde fria nos arredores da grande Belo Horizonte, em um retiro para jovens (no qual a moça participava), Francisca foi tomar um banho, a água caiu como pedras de gelo no seu corpo de 52 kg, os ossos doeram, teve uma crise de tremor que demorou a passar. Enxugou-se, colocou a roupa se arrumou.
Francisca, não ficou gripada, não teve tuberculose, nem pneumonia.
A água gelada levou para o ralo o amor romântico.
O mineirinho mudou de estado, nunca mais Francisca soube dele, esqueceu seu nome, não sabe se o carinha alcançou seus objetivos.
E uma tarde se encontrava no meio de uma chuvarada com gotas fortes, Francisca se lembrou do caso e sorriu, pensou... Estou começando a envelhecer, estou relembrando histórias antigas.
A escolha de um dia bom
Havia trabalhado o dia inteiro.
Já era madrugada quando Mônica se sentou para descansar um pouco.
Olhou pra os pés que estavam calçados com uma sandália de dedo e passou a observá-los. Estranhamente Mônica passou admirá-los.
- São até harmoniosos! Pensou a mulher.
Ficou vários minutos naquela posição, observando os pés e pensando em sua vida.
Já adulta, em muitas ocasiões Mônica se enxergava menina e agia como tal.
Lembrou que cerca de três meses atrás algumas pessoas amigas lhe disseram:
- Mônica, você tem um coração doce.
Intrigada com a afirmação, ela se atreveu e tomou coragem e perguntou a uma das pessoas.
- O que significa ser uma pessoa de coração doce?
- Com tudo que te acontece, você continua com um coração doce, um coração grande, que abraça as pessoas e procura ajudar. Seu olhar é cativante de uma pessoa amiga, um coração doce que procura não guardar mágoas.
Mônica agradeceu a resposta e depois ficou matutando, ser doce seria positivo ou negativo?
Olhando para os pés e pensando na resposta da indagação e dos últimos acontecimentos que lhe ocorreram, ela não estava apenas das tarefas daquele dia, mas estava cansada da vida.
Nos últimos anos sentia-se impotente e cética em relação a muitos temas.
Resolveu se banhar. Com o chuveiro já ligado e água e espuma deslizando pelo corpo abatido, os pensamentos continuaram. Nunca se enxergou esteticamente bonita, o que lhe sobressaltava aos olhos era o que ela não gostava, algumas vezes, se olhava e penava hoje parece estar bem.
Inúmeras vezes, colegas, amigos e familiares lhe falavam:
- Mônica você é forte!
Frágil como uma folha de papel de arroz, lutando com suas dúvidas, medos, ansiedades, monstros e fantasmas, a mulher sorria e agradecia os elogios, na pseudo-segurança dos muros que cresciam dentro dela, tinha consciência que apenas era alguém que procurava viver.
Gostava das artes em geral, apesar de não ser competente em nenhuma delas, apreciava todas quando podia.
Os pensamentos de Mônica divagaram por leituras realizadas sobre mitos e folclores de várias culturas. Educada a não acreditar em nenhuma destas histórias, porque não seria sensato crer em bruxas, vampiros, lobisomens, boitatás, fadas, duendes, Teseu, Perseu, magos e demais criaturas e histórias semelhantes... Ultimamente ela refletia de forma diferente.
- Estas histórias, personagens e criaturas representam os sentimentos e relações humanas, todos eles, dos mais belos, aos mais cruéis, dos mais sórdidos aos mais puros. Todas as pessoas trazem em si contradições, presença de luz e de escuridão.
Resolveu ir deitar. Ao perceber no dia seguinte que a vida ainda estava presente, se levantou para mais um dia de enfrentamento e uma possibilidade infinita de escolhas.
E como existem tesouros preciosos para a mulher, na figura de amigos que ainda preferem a utilização de pouquíssimas máscaras, a mulher foi ao encontro destes para passar um dia agradável. Ela sabe que a vida é um sopro, sabe que não há como ter certeza da quantidade de dias, acredita que a vida deva ser alegre, que a vida deve ser intensa, mas, sobretudo acredita que a vida deve ser compartilhada com inteireza e sinceridade e foi abraçar pessoas amadas.
E o dia foi bom.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Amar?
Quando ele/ela chegou, foi devagar, não foi dizendo: amo você.
Foram conversas sobre trivialidades, posteriormente sobre gostos em comum, semelhanças em diversos temas. Mas não apenas semelhanças: existiam as individualidades e, portanto as diferenças.
Com o tempo os temas se aprofundam e já se comenta não só as notícias do cotidiano, os as questões climáticas, as ansiedades, os segredos vão sendo desvelados e muito do que deveria ter sido guardado vai sendo exposto em doses homeopáticas.
O vocabulário se modifica e fica impregnado de doçura, com cheiro e sabor do doce que imaginamos desde a juventude. Doçura, carinho, acalento, cuidado, o domínio da língua escrita e oral em diversas línguas e um saber que toca as almas românticas, com músicas, filmes e literatura.
E em vários momentos aqui e ali, surgem frases que soam como melodias encantadoras, que inebriam, mesmo não querendo o/a outro/a de repente se percebe fisgado/a. – Eu amo você. – Penso a cada minuto em você, meu amor. – Meu amor!!
Mas, o que amar? O que é amor?
Verbo ou substantivo?
Os vocábulos amar e amor foram banalizados e atualmente é muito difícil sabermos quando alguém realmente está expressando o amor, o amar, utilizando a linguagem como forma de expressão a um dos sentimentos mais belos que existe.
Amar e amor acompanham ações, e quando se ama se deseja o melhor para o/a outro/a.
Quando não existem ações as sentenças são palavras soltas ao vento, que praticamente derrubam as pessoas como ventanias repentinas que não esperamos, ou como furacões que destrói tudo por onde passa.
Parafraseando Tiago, poderíamos dizer, amor é sem dúvida palavras e ação, um sem o outro não existe o amor. Sem dúvida é qualquer outro sentimento humano. Menos o amor, menos amar. São apenas frases jogadas ao vento.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Tristeza e saudade.
Tristeza e saudade
Duas palavras que tem me acompanhado nos últimos anos: a tristeza e a saudade.
Tristeza e saudade se alternam no meu peito.
Vivo o cotidiano procurando cumprir com as tarefas necessárias aos meus papéis sociais e, sim certamente faço isso.
Mas apenas minha alma inquieta nos momentos do enfrentamento mais duro que temos que é nós com nós mesmos, são aqueles que o corpo sofre a tristeza e a lágrima escorre a saudade.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Fresta - Fernando Pessoa

Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem
Quanto a vida dá ou tem
Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado
Revivo, existo, conheço,
E ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado
Revivo, existo, conheço,
E ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.
domingo, 4 de setembro de 2011
O tempo
Mário Quintana
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
- A impressão que tenho, é que o tempo, depois de uma faixa etária corre mais depressa. Os relógios batem os mesmos segundos, minutos e horas, entretanto a sensação do corpo é diferente. A cada dia estamos mais perto da certeza da vida: a morte! E sempre acreditamos que falta mais a viver! O tempo, ah o tempo...
domingo, 29 de maio de 2011
Rememorando!
Em Recife, lecionei numa sala de alfabetização de adultos como parte de um projeto da UFPE.
A maior parte dos meus alunos morava numa "vila" embaixo de um viaduto. Vindos do interior fugindo da seca, das juras de morte das brigas entre família.
Quando alguns faltavam eu ia visitá-los na comunidade, compartilhava o café aguado adoçado com rapadura, conversava sobre a família, sobre o trabalho. Obrigação minha fazer isso, claro que não!
Mas a autoestima dos alunos quase não existia.
Quando as pessoas deixam de se enxergar como pessoas, o pouco é muito, dever vira favor e qualquer coisa é o que elas acreditam que merecem. Os valores se invertem. Não pode existir uma educação mais ou menos, a educação tem que ser com qualidade, a pública então com qualidade esmerada, mas que um direito é um dever dos governantes e dos trabalhadores na área.
Que eu nunca perca a sensibilidade, que eu nunca pense que sou melhor que as outras pessoas! Posso ter outros gostos, outros saberes, outra história, que eu sempre me reconheça através dos olhos de alguém, uma pessoa, um ser humano, enfim GENTE!
segunda-feira, 23 de maio de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
Desafio! Desafios!
Qual teu maior desafio?
Atualmente os desafios que enfrento é acreditar que sou capaz de seguir adiante em cada situação que se apresenta.
Antes tinha mais disposição: na luta, nos sonhos, nos embates.
Versatilidade era uma das minhas qualidades
Como ando cansada....
Um dia quem sabe fico um tempo só nos verdes pastos, ao som de águas tranquilas e ao gorjear da passarada!
O corpo e a mente pede passagem.
Atualmente os desafios que enfrento é acreditar que sou capaz de seguir adiante em cada situação que se apresenta.
Antes tinha mais disposição: na luta, nos sonhos, nos embates.
Versatilidade era uma das minhas qualidades
Como ando cansada....
Um dia quem sabe fico um tempo só nos verdes pastos, ao som de águas tranquilas e ao gorjear da passarada!
O corpo e a mente pede passagem.
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