terça-feira, 19 de março de 2019

Bem-me-quer

Bem-me-quer,  malmequer,  bem-me-quer, malmequer,
Bem-me-quer, mal-me-quer,  Bem-me-quer,  mal-me-quer,
Em qualquer ortografia,
Como o número pi,
3,14159295....
posso continuar infinitivamente  a cantilena,
Mas a resposta eu sei: malmequer  ou não me queres,  não me importa
Sou egoísta,  escrevo para mim
Se gostas ou não,
Continuo a escrever,
Se bem-me-queres  ou malmequeres ou se definitivamente simplesmente não me queres,
Sou egoísta,  sigo a sentir.


domingo, 10 de março de 2019

SILÊNCIO

Silêncio
ensudercedor,
esmagador
que estoura os tímpanos e atordoa
O sangue escorre
Desnorteada com a verborragia do Silêncio
Me calo
Me resguado
Hiberno sem a segurança de despertar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Espumas do mar




Foto de Flávia Cavalcanti Gonçalves.Foto de Flávia Cavalcanti Gonçalves.
Foto de Flávia Cavalcanti Gonçalves.










Nos momentos livres da viagem técnica tenho ido ao mar.


(texto escrito em 2015 e publicado no Facebook)

Hoje fiquei observando as ondas, a maré estava subindo, as ondas quebrando e a espuma lindamente se 'amostrando' toda 'assanhada'.
Moro longe do mar, mas o mar não sai de mim. 
Posso observá-lo de longe, porque existem alguns que são para serem observados e outros para mergulhar, nadar, boiar, "pegar jacaré, brincar... Não é todo mar que me deixo envolver, tem que ter o aroma certo, a temperatura, o molejo da onda...Ah sim e tem a praia. A praia! Prefiro praias com um certo tipo de areia, com faixas largas e pouco movimento. Praia que você tem que brigar por um pedacinho de chão, gosto não visse.
As espumas hoje estavam lindas! Em alguns momentos parecia flocos de coco que faço beijinho ou coloco no recheio da tapioca, dava até vontade de abocanhar. Em outro momento parecia uma faixa estreita de nuvens. E uma hora eu lembrei da mitologia grega e pensei que Afrodite ia emergir da água.
Para ter momentos felizes me basta aproveitar as belezas lindas do Todo Poderoso.
Com água, seja ela salgada ou doce (cachoeiras minhas lindezas), o colorido da natureza, as flores, a paisagem e as aves (para meus amigos biólogos) que para mim é passarinho mesmo, poeticamente passarinho, que me atravessa a alma e, uma brisa no rosto me renova os ânimos e a vida.
Melhor terapia que existe para esta pernambucana.


sábado, 2 de fevereiro de 2019

Choro

O choro não pede licença, ele chega.
A lágrima escorre e lava a face sem pudores.
Não regulo a alma,
ela é livre como o choro.
O corpo sim  é limitado.
Além de limitado, desgastado!
Que a alma seja livre e a face lavada!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

RESPIRO

Os tons laranja arroxeados dos fins de  tarde do cerrado
enchem de nostalgia e romantismo os olhos e a alma.
O espírito voa e paira sobre a cidade e seleciona o que observar.
O vôo, o gorjear e o bailado cortejante das aves, os animais folgando a primavera, a flora perfumada, colorida e verdejante, as músicas melodiosas, a reinação das crianças,
as declarações de amor: tanto as escancaradas como as veladas.
Um ruído interrompe o deslumbramento solitário.
A realidade retorna, o cotidiano necessário prossegue para sobreviver, continua só.



sexta-feira, 9 de novembro de 2018

ESPECTRO-SER

Sou um espectro que finge ser pessoa.
Envelhecida pela rudeza da vida.
Madrugadas mergulhadas em saudade.
As vezes as conexões com os humanos fica partida
Os contatos imediatos se rompem .
Fica os humanos estupefatos me observando sem entender minhas limitações.
E eu os miro e aceito sua condição não-saber.
Sou daquela categoria que morreu tantas vezes desde que sentiu o primeiro sopro de vida ao nascer.
Sou daquela categoria que carrega tantas marcas no corpo e na alma que perdeu a vontade de se comunicar.
Porque você está triste?
Desculpe, você não irá entender.
Siga.

sábado, 6 de outubro de 2018

TODO DIA

Todo dia ao abrir os olhos depois de um período de sono percebo que estou viva.
(Todo dia choro)

Todo dia que percebo que estou viva me pergunto: Por quê?
(Todo dia choro)

Todo dia procuro levantar e ter ânimo para os afazeres e vivências do cotidiano.
(Todo dia choro)

Todo dia ao longo do dia em algum momento as lágrimas escorrem.
(Todo dia choro)

Todo dia ao olhar no espelho percebo que a  cada dia me reconheço menos.
(Todo dia choro)

Todo dia reconheço em mim as o roxo e o inchaço das olheiras.
(Todo dia choro)

Todo dia procuro sorrir e não disseminar amargor e mágoa.
(Todo dia choro)

Todo dia procuro viver com pedaços que me faltam.
(Todo dia choro).

Todo dia ao final do dia, a noite ou na madrugada procuro me ocupar de levezas para não remoer histórias.
(Todo dia choro)

Todo dia convivo com os fantasmas de todos os infernos que visitei.
(Todo dia choro)

Todo dia leio notícias.
(Todo dia choro)

Todo dia sinto saudades.
(Todo dia choro)

Todo dia procuro dar significado  ao dia.
(Todo dia choro)

Os pequenos problemas do cotidiano já não me irritam.
Vou vivendo cada dia sem muita pressa.
Passei a preferir a solidão das minhas ocupações  a dialogar com amargos e raivosos seres, opto por degustar um sorvete sem crise de consciência e sem contar calorias.
(Todo dia choro)

Todo dia procuro reconhecer a Soberania, entretanto vez ou outra surge o questionamento: Por quê não eu?
(Todo dia choro)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Quanto tempo o tempo tem?

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, o Tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo, tempo tem.
Trava-línguas! O texto acima é um trava-línguas, uma espécie de jogo verbal que consiste em pronunciar o texto sem justamente travar a língua,uma das utilidades dos trava-línguas é aperfeiçoar a pronúncia.
Escolhi este em especial devido ao tema: Tempo.
Muitas pessoas já estudaram, leram, ouviram ou assistiram filmes e documentários sobre os gregos antigos e as palavras utilizadas pelos mesmos em relação à noção do tempo. Chronos para o tempo de natureza quantitativa e Kairós para o sentido  qualitativo do tempo, algo como o momento oportuno. Aion expressão de origem grega, menos conhecida, indica o tempo de longo prazo. Na Bíblia a biblioteca que comumente é conhecida como o livro sagrado para os cristãos, as noções de tempo gregas aparecem nos livros do novo Testamento ressignificadas e atreladas ao tempo dos homens e ao tempo de D-us.
A palavra tempo me faz lembrar a a minha voinha materna, em forma de cantinela um trecho do livro de Eclesiastes, da Bíblia também, do Velho Testamento: Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu (Ec. 3:1), chegavam aos meus ouvidos.
Mas... Quanto tempo o tempo tem? O tempo tem tanto tempo quanto tempo, tempo tem.
Bingo!
Sabem, cada pessoa lida com um sentimento, um fato, um acontecimento no seu tempo. Apesar de já terem medido o tempo para tudo até para o quanto devem durar os sentimentos mais profundos.
Hoje é 4 de junho, seis meses que meu filho mais velho Moshe Dayan morreu, um ano e meio que minha neta Ashira Ariel filha dele também morreu; 45 anos 4 meses e meio que meu voinho materno João morreu. Eu poderia ampliar esta lista para afirmar de forma contundente que sinto sim a falta de pessoas queridas que marcaram minha vida. Acontecimentos também podem funcionar como trava-vidas ou destrava-vidas, ou avaliar-vidas, as nossas.
Eu estava com 9 anos e alguns meses de idade quando João meu avô morreu, morava na casa dos meus avós, uma criança no meio de adultos, um bibelô.
A morte do meu avô foi um tempo de avaliar-vidas, e eu fiquei pensando: "E se todos morrerem?", de um bibelô passei a me construir ao longo da vida e aprender sempre que necessário, aprender e fazer, viver, sobreviver.
Quando escrevo sobre a morte de meu filho, escrevo porque preciso.
Como a maioria das pessoas não sabem de sutilezas, de detalhes do que ocorreu e das dificuldades inclusive burocráticas que enfrentamos nos pós-morte, e, que é diferente para cada caso, imaginam talvez que tudo seja bem mais simples.
Lembro certa vez de visitar uma amiga que perdeu sua filha em uma acidente, uma fatalidade. Minha amiga me perguntou se eu tinha respostas para ela. O que posso falar para uma mãe que perdeu sua filha querida? O que posso fazer a não ser abraçá-la e emprestar o meu ombro? - Não tenho respostas para você.
Resolvi deixar de pintar meus cabelos e lentamente eles estão ficando brancos, não tenho vontade de pintá-los e não tenho vontade de pintar as unhas e isso faz parte do meu momento, do meu tempo, do meu transpassar.
Ao mesmo tempo conto histórias, causos e piadas , sorrio.
Se eu acredito no Eterno? Sim eu acredito! Talvez a minha manifestação da fé seja diferente da sua!
E que na labuta do Chronos tenhamos espaço para sermos ombros, para abraçarmos as pessoas, vocês nem imaginam como um afeto é melhor do que algumas palavras.


quinta-feira, 31 de maio de 2018

CONFESSO




Confesso, já escrevi seu nome na areia e as ondas apagaram,
não lembro em que mês e em que ano, afirmo escrevi!
Fui sozinha à praia e tal uma criança fui rabiscando a areia e depois olhei as espumas lambê-las.
Lembrei da música "Quatro semanas de amor" (música errada),  a música certa seria "Xote dos milagres".
Confesso,  já escrevi poemas! 
Um monte de palavras mal conectadas e sem a beleza dos textos que apenas os poetas possuem o domínio.
Confesso já ouvi músicas!
Ouvi músicas e na minha cabeça nonsense imaginei que estávamos dançando.
Confesso, mudei!
Hoje, hoje quando vou ao Mar deixo ele ser o meu remédio.
Respeitando a  imensidão e o volume da  água, sua força e sua serenidade, 
as vezes  o contemplo, as vezes me banho.
Deixo por lá parte das minhas dores.
Já não existem festas imaginárias.
Mais racional, menos utópica.
Só não deixo de escrever, até que a morte me separe.



domingo, 22 de abril de 2018

Meu Mar

Meu Mar

Bendita seja a água morna do meu mar
mergulho e as águas salgadas se misturam,
fico na água até a pele ficar mais encarquilhada do que já está
gosto muito de ir sozinha,
ao meu redor as pessoas vivem seus momentos especiais em seus mundos particulares,
o olhar anda opaco, a pele sem viço,
vaidades virou realmente sinônimo de futilidades.
Bendita seja a água do meu mar,
mergulho e as águas salgadas se misturam e as pessoas interagem em seus grupos presenciais e virtuais.
Bendita seja a água do meu mar no qual as águas salgadas se misturam e que eu não preciso ficar dando explicações
para ninguém,
Bendita seja a água do meu mar no qual as águas salgadas se misturam e que eu alivio minha aflição
É a água salgada que adocica minha existência.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Existência


As marcas, cicatrizes e manchas.
Os espaços vazios e os inchaços.
As fragilidades.
Os passos cuidadosos.
As ites, uma coleção delas.
As revoluções mentais: um borbulhar de pensamentos, sentimentos, ideias e ideais.
Aqui e ali um pequeno sonho, um "sonhozinho"
A mal/bem dita razão não a deixa esquecer  (em tempo algum)
Passou a se interessar pelo despercebido
Contempla o que para outros  é corriqueiro

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Como é grande o meu amor por você

Eu tenho tanto para lhe falar,
Mas com palavras não sei dizer  la rá la lá lá....

Ao retornar do colégio ou de outros destinos que fazia com regularidade, cruzava a Vila dos Comerciários para alcançar a Rua São Vicente, situada no bairro da Tamarineira, meu endereço por 18 anos.

Em uma das vias cruzava sempre com um adolescente um pouco mais velho que eu, ele sempre acompanhado do seu melhor amigo, o violão.
Com um certo desconforto e timidez e talvez por não saber como falar comigo recebi por outras mãos de presente a letra de Como é grande o meu amor por você em uma caligrafia caprichada e devidamente cifrada para violão.

A balada de Roberto foi lançada em 1967 porém ainda tocava nos bailinhos da década de 1970, cuja letra fazia o papel de declarações de românticos apaixonados.

E assim tal qual   os versos de Cyrano de Bergerac declamado por Cristiano, as letras das canções auxiliava os Cristianos do bairro, mas pela timidez do que pela capacidade autoral.

Como nem tudo é como pensamos e tal qual a Quadrilha de Drummond, mais tarde cantada por Chico em Flor de Idade, as vezes as flechas das paixões ficam confusas e, meu coração adolescente descompassava por outro.

Os anos passaram, os adolescentes viraram jovens e cada qual fez suas escolhas. Alguns  resolveram fazer experimentações misturando substâncias para uso pessoal: pico, maconha, loló e álcool. Utilizados de forma furtiva ou abertamente infelizmente muito cedo alguns partiram.

Um domingo retornando da igreja que congregava , descendo na mesma parada de ônibus que ficava em frente ao Cine Coliseu que para minha tristeza anos depois o espaço virou um mercado, cruzando as ruelas da Vila dos Comerciários, encontro o jovem fumando um baseado, encostado em um carro e ao seu lado o violão.

Eu nunca me encantei por cigarros  de qualquer natureza, minha paixão sempre foi a celulose mas não aquelas que são utilizadas para bolar  mas as que são registadas e ilustradas  histórias e encantos, sempre viajo e experiencio diversas sensações através das páginas dos livro que leio.

- Flavinha tá vindo da igreja?
- Oi, tô sim, tudo bem?
- Se incomoda com o cigarro?
- Pode continuar fumando, tudo bem?
- Quero lhe perguntar algo.
- Diga.
- Dormiria com um homem sem casar?
- ???!???!???!??
- Isso que ouviu. Sabe você não é nenhuma modelo, sabe... Mas... Não sei... Eu acho...

Meu colega perdeu a timidez e não "arrodeou" como um pernambucano da época, foi direto na aorta.

Preferi no momento que ouvi a letra do Roberto Carlos, mesmo sabendo que não era todo o amor do mundo e muito menos maior do que o céu, o mar e a Terra.

Continuo não sendo a modelo (nunca fui ele tinha razão). Desengonçada e estabanada no meu Infinito Particular e hoje com sulcos, marcas e tonalidades adquiridas pelo tempo, lembro da caligrafia caprichada e das cifras cuidadosamente colocadas acima da sílaba certa, da expressão de carinho na letra da canção.

Depois enfim de tantas ilusões fanadas, sempre desfeitas, sempre renovadas o sentimento amoroso é meu companheiro da solidão. Da solidão diária de quem já não cria expectativas e que se refugia na música, na literatura e na natureza que preenchem um pouco as lacunas e ameniza cansaços e dore.

Referências a: Roberto Carlos, Chico Buarque, Carlos Drummond de Andrade, Marisa Monte, Cyrano de Bergerac, Farias Neves Sobrinho.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Bem-que-te-avisei

Bem-te-vi gorjeia ao  entardecer, despreocupadamente, pousado em um fio. 
Bem-te-vi.Bem-te-vi.

A mulher recostada esperando o transporte urbano, em seus devaneios vez ou outra escuta.
- Bem-que-te-avisei.
- Bem-que-te-avisei.

O bem-te-vi levanta voo, o ônibus chega, a mulher segue em seu intimo, replicando a cantinela.
- Te avisei, te avisei, te avisei!






Gargalhada

Gargalha,
do alto de sua magestade, 
Me observa e gargalha.
Ao longe, 
sou insignificante e impotente,
arqueada pelo tempo,
lampejos de memórias grudados nas marcas do corpo.
Saudades de fatos não vividos
Consequência da covardia,
Me calei.
Ouço a gargalhada,
me limito a observar.
Já não existe oportunidade, 
fiquei no passado.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

1964.


1964, revolução ou golpe? 49 anos depois existem partidários de ambos os conceitos.
Morava na casa de meu avô materno, integralista de coração e sobrinha neta de um comunista convicto.
Ainda criança, as notícias de prisões e torturas chegavam a mim primeiro por reações de tristeza, preocupações e lágrimas que escorriam pelos olhos dos meus avós, tias e minha mãe, depois alguém me contava que um parente se encontrava preso.
Devia estar com uns 4 ou 5 anos, quando meu avô ficou preso alguns meses em um quartel perto da Faculdade de Direito do Recife, uma tia minha tentou vê-lo sem sucesso. E vovô era funcionário da Agência Nacional, anos depois quando morreu ainda no governo militar, presentearam uma rua do Pina, com o nome Jornalista João Uchôa (nem sei se ainda tem este nome).
Meu tio-avô foi preso mais de uma dezena de vezes por ser membro do PCB, ele e outros familiares.
Cresci sem gostar de ditaduras, nem de esquerda e nem de direita e de nenhum tipo de ditadura seja ela qual for.
Gosto do debate, da expressão, gosto de defender os direitos que estão garantidos na Constituição Federal do país em que vivo, em especial os que diz respeito aos básicos para  viver com dignidade. Como as pessoas nos enxergam conforme seus conceitos, ora sou tachada de reacionária, ora de subversiva. 
Sigo apenas entendendo que os impostos recolhidos (como tem taxação neste país, além de políticos muito caros), devem ser revertidos em prol da sociedade. Além de entender que governantes são gestores públicos, eleitos pelo povo, que não possuem cargo ad eternum  (democracia) e que não podem ser considerados "donos" de um município, estado ou país.
1964, também é o ano em que Martin Luther King recebe o Prêmio Nobel da Paz, sua luta em prol do direito civis dos negros dos EUA, e é algo que nunca consegui entender como um país de maioria cristã em pleno século XX considerava pessoas inferiores pela cor da pele (Se bem que isso aconteceu em outros países, quem entende o coração humano?).
Estamos em 2013 os regimes políticos mudaram, existe um afrodescendente no governo dos EUA e, continuamos nós, muitos brasileiros, sentindo indignação pela gestão das verbas públicas.


por Flávia Cavalcanti Gonçalves

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Canções

O I Festival de Música Popular Brasileira de 1965, classificou em primeiro lugar, Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes na linda voz de Elis Regina, mas como não existe concordância com tudo, é o segundo lugar, que posto a letra, mais uma do "poetinha", Vinicius de Moraes em parceria com Baden Powell e interpretada por Elizete Cardoso.
 

Canção do Amor Que Não Vem

Ah, soubesse eu te contar 
Toda amargura 
De não poder te dar 
Tanta ternura 
Ah, soubesse eu nunca te contar 
Ah, pudesse eu te dizer 
Toda tristeza 
De estar sempre esperando 
Uma incerteza 
E nada poder 
Nem desesperar 

Oh, triste caminho do coração 
Que ama sozinho 
Que coisa triste 
Amar sozinho 
Quanta solidão 
Ah, pudesses entrever 
Minha ansiedade 
Depois de um dia de saudade 
De uma noite inteira a soluçar 
Vem! Não tardes mais 
Amor, que eu vivo procurando 
Quando vais chegar? 
Eu sei que chegarás 

Ah, pudesse eu pôr a teus pés 
A minha vida 
Amor, por quem tu és 
Oh, vem 
Não tarde mais 

Sim, por favor 
Façam silêncio 
Meu amor vem em silêncio 
Quando ele por mim passar 
 
E depois desta letra não há mais nenhum comentário a fazer.

 

 
 por Flávia Cavalcanti Gonçalves

 
 
 


sábado, 30 de março de 2013

1963, Kennedy e eu.


Minha mãe, como tantas outras jovens de sua época, era fascinada por John Kennedy, o presidente dos Estudos Unidos da América do Norte, tinha um jeitão de galã de cinema.
Lembro até aproximadamente a idade de 6 anos de uma revista devidamente ensacada e guardada com carinho e devoção em um canto do pequeno guarda-roupa que eu e mamãe dividíamos.
A revista trazia a reportagem da fatalidade do assassinato de John Kennedy e muitas outras  fotos de sua trajetória.
Como aprendi a ler muito cedo, um dia foi me dado o direito de ler a reportagem, com muito cuidado para não estragar as folhas da revista. Minha memória não ajuda, e sinceramente não lembro se era a "Manchete" ou a  "Fatos e Fotos". 
Certamente 1963 foi um ano marcante para mamãe, eu nasci e Kennedy morreu.
 
 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Pessoas

Gosto de  pessoas que me fazem sorrir no meio da tempestade,  é raro, as pessoas estão cada dia mais taciturnas.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Reflexões e relato de memória de uma docente.


O texto que se segue foi publicado em outro blog, escrito por mim. Resolvi postar aqui porque    já escrevi algumas reflexões semelhantes a esta, é a professora pensando acerca do ensino.


Ao ser solicitada a escrever para este blog relutei.
Inicialmente esclareço que este texto não é um texto científico. Ele não é um relatório de pesquisa, um artigo ou um ensaio; são reflexões  e flash de memória
 postas em um blog em linguagem “html”.
Para escrever sobre a UEMS, lutas e qualidades, pensei também em alvos. Refleti sobre meus anos de formação e de atuação profissional na Educação Básica, como professora, supervisora escolar e coordenadora pedagógica e também no movimento sindical nesta época, tanto na
rede pública quanto na privada.
Quando resolvi trabalhar na UEMS via concurso, carregava uma história profissional de 17 anos na Educação Básica e mais alguns em Instituições do Ensino Superior.
Na UEMS, não sou filiada ao sindicato da classe por opção minha, e sei que alguns professores e professoras não aprovam minha opção.
Tenho observando a distancia os debates sobre qualidade e também às reivindicações de diversos colegas.
Qual qualidade ou qualidades busca a UEMS? Qual qualidade ou qualidades buscam os docentes da instituição?
O perfil da instituição, seus objetivos, suas metas, e demais crivos de qualidade estão estabelecidos no documento oficial Plano de Desenvolvimento Institucional. O que se deseja alcançar a curto, médio e longo prazo está no documento elaborado com a participação dos docentes.
Nos diversos cursos que a UMES oferta, os marcos dos crivos de qualidade estão estabelecidos nos Projetos Pedagógicos.
As questões relativas à qualidade a serem debatidas são diversas, dentre tantas possíveis: - A qualidade proposta está sendo assegurada? Os crivos de qualidade estabelecidos são os crivos que queremos?
Ah, a qualidade! A tão debatida qualidade, desejada (creio que algumas conquistas foram realizadas).
A busca pela qualidade como sabemos, envolve um grande número de variáveis que vão desde um provento digno aos docentes e administrativos, questões estruturais e demais variáveis internas e externas.
Já se tornou um jargão discorrer que um investimento adequado na educação, ao lado de vontade política e compromisso profissional das pessoas nos diversos setores administrativos e pedagógicos (inclusive no executivo e legislativo), cumprido seus papeis e funções sociais certamente alcançaríamos um retorno satisfatório. Vontade, vontade é que um dos grandes problemas, espero um dia que vontade e ação sejam práxis  em todos os setores ).
E os alvos?
Quais seriam os alvos pessoais dos docentes da UEMS?
Como não realizei nenhuma pesquisa com esta questão problematizadora  exponho os meus:
- trabalhar em pesquisa (pouco alcançado);
- contribuir para a formação dos futuros professores atuando nas licenciaturas (satisfeito).
Procurei na UEMS, realizar minha lotação (sempre que possível) nas licenciaturas. Almejava contribuir para a formação dos futuros docentes e incentivá-los a atuar na Educação Básica (pelo menos por um tempo), sem deixar de investir em sua escolaridade.
Nos anos que aqui estou trabalhei nas licenciaturas em Letras, Matemática, Física, Química, Ciências Sociais, e atualmente Geografia e Artes Cênicas e Dança.
Meu crivo de qualidade é quando recebo depoimentos de ex-alunos: - Estou atuando em sala de aula e estou gostando.; – Estou lecionando e me preparando para a seleção de Mestrado; - Terminei o Mestrado e estou tentando o Doutorado.
Sempre comento em sala de aula que todas as ciências têm suas linhas teóricas e que existem algumas “verdades” estabelecidas  e outras “verdades” que variam conforme as escolas teóricas de cada ciência. Alguns me perguntam qual linha teórica devem seguir e  sempre respondo àquela que você se identifica e acredita ser a verdade, espero assim contribuir para que eles sejam autônomos .
Como docente gosto do quer-fazer freiriano, do conceito da dialogicidade, do conjunto de sua obra e em especial de “Pedagogia da  Autonomia”. Educação se faz com compromisso político, técnico, ético e estético.
Gosto da dialética presente nos livros de Paulo Freire, gosto da  análise que faz, do seu caminhar, revendo pontos, ideias.
Gosto de aprender ao longo da vida, na pesquisa, na literatura, nos clássicos, nas diversas tipologias textuais, nas diversas áreas, na universidade, no cotidiano, com as pessoas.
Se este texto for publicado haverá provavelmente alguns comentários, ou não. E como tenho um blog pessoal ele será postado lá também, e vou escrever aqui o que escrevo para as pessoas quando divulgo meu blog: - leiam, comentem, discordem, concordem, acrescentem.
Academia é lugar de debates, de pesquisas, de troca de saberes, local de dúvidas, de aprendizagens, de análises, de sínteses, de produção do conhecimento.
Ah, lembrei-me do Sindicato, bem é na luta sindical que  podemos observar o fenômeno da luta de classes, ou você se coloca ao lado do patronato, ou se coloca ao lado do trabalhador (claro que existem momentos de síntese), e temos que saber diferenciar o cargo, da pessoa amiga. Nosso amigo ou amiga que  está ocupando cargo de confiança, em algum momento vai ter que agir com “cabeça” de patrão e temos que aprender a diferenciar.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

D. Josefa.

O bebê de Josefa nasceu saudável e faminto após um longo trabalho de parto.
O segundo menino da família! Que felicidade! Não foi com parteira, foi no hospital por parto normal.
Alguns dias depois os familiares de Josefa perceberam que alguma coisa estava errada.
Josefa  estava apática, não chegava perto do filho, rejeita o bebê, um olhar perdido, vários comportamentos estranhos.
Procuraram socorro médico:
- Depressão pós-parto. Estágio avançado. Internação.
Mulher, pobre e negra, Josefa foi encaminhada a um hospital psiquiátrico público no final dos anos de 1970.
Um área imensa, 9 hectares, 5 deles de vegetação, um passaredo bonito ao cair da tarde e no início da manhã. Vários pavilhões, de fora uma sensação de beleza e descanso.
Dos lados internos dos muros, pouco havia mudado, os métodos psiquiátricos utilizados continuavam a ser o "sossega leão", o eletrochoque...
Grupos de homens e mulheres separados por gênero tomavam banho com o esguicho de mangueira. A água fria iria lhe aplacar os ataques...
No início Josefa recebia visitas, que diminuíram até desaparecer por completo.
Sete anos no hospital, uma tarde, Josefa teve um momento de lucidez, uma lembrança ou uma luz.
Tomou uma decisão repentina, observou que os funcionários estavam descuidados e pulou o muro, na parte em que havia grades, seminua, correu pelas ruas até chegar na casa dos pais.
Dois anos depois da  "fuga" matriculada numa sala de alfabetização de jovens e adultos, encantada por estar decodificando e imprimindo significado  à símbolos que antes não lhe fazia sentido.
Aluna participativa, sempre chegava com uma novidade, compartilhando o que  havia conseguido ler e fazendo mil perguntas a professora.
- Professora o que significa um "A", um "H" e quatro "I" de cabeça para baixo? Vi numa propaganda de refrigerante na rua.
- Professora porque nas bancas de revista tem um monte de palavras "VEJA"?
- Professora, por quê? Por quê?
A professora escutava e respondia.
Uma noite Josefa resolveu contar sua fuga para a professora.
Foi  a vez da professora perguntar:
- E me diga  D. Josefa e sua depressão?
- Foi Jesus  professora. Jesus me curou! Hoje cuido do meu filho!
- A senhora faz algum tratamento D. Josefa?
- De tantos em tantos meses vou ao hospital e o "dotô" me examina e ele me dá um papel com a data que devo voltar.
- Professora me ajude a ler esta palavra na revista que não estou conseguindo.
D. Josefa continuava pobre, morava em um  arremedo de casa, em um terreno invadido nas margens de um braço de rio.
Estava feliz porque não se achava mais uma pessoa-coisa, havia recuperado sua identidade.
A mulher se deliciava na leitura, na escrita, um sorriso diário. Suas perguntas animavam a turma.
E repetia sempre: - Só por Deus professora, só por Deus professora, estou conseguindo, Deus é bom!


por Flávia Cavalcanti Gonçalves