quinta-feira, 26 de novembro de 2020

CONJUGAÇÃO

Se eu posso,
Se tu podes,
Ele também pode.
Talvez, talvez...
Faltou oportunidade.

domingo, 8 de novembro de 2020

Quase trinta anos em cerca de três anos. Corpo, alma e espírito, tudo envelheceu. Um amigo falou : - Não envelhecerás, tens alma de criança. Ele nem imaginava. Não sabemos o futuro. O corpo se desingringola aos saltos. Existem idosos jovens, vigorosos e saúdaveis. E há também adultos enferrujados.

terça-feira, 30 de junho de 2020

Canindés

Encontro abrigo nos braços do Pai,
nas madrugadas intermináveis.
Interrompidas pelo tagarelar das Canindés com suas nuances de azuis e seu amarelo e verde que se sobressai.
As Canindés lembra as cores da bandeira.
(Se fôssemos como as canindés cuidaríamos uns dos outros com mais carinho e atenção).
Adormeço com o gorjeio dos bem-te-vis com um Sol já firme em dias claros.
A noite pelo dia.
Tomara que meu paraíso seja uma mescla  da primavera no Pantanal com as águas mornas do mar nordestino.
Onde eu possa repousar sem medo apreciando a natureza.
Para saber: 
Texto sem requinte literário e excessivamente pueril.
Já que todos tem o direito de receber um Corona mortal.
Devanear sobre o passamento vira algo cotidiano.
Que seja então lúdico.


segunda-feira, 29 de junho de 2020

Fotografias

Olhou as fotos com a taça de vinho ao lado.
Viu mortos, estranhos e amados.
Olhou queridos pertos e distantes.
Sorriu e chorou.
Teve saudades do que não viveu.
Secou a face.
Arrumou as vestes.
Bebeu o último gole.
Voltou ao trabalho.

sábado, 27 de junho de 2020

Cacos

Me quebro.
Espatifada no solo,
um vento sopra.
O espírito/alma junta os cacos.
Alguns permanecem lá,
logo depois são pisoteados pela multidão desgovernada
mascaradas ou não.
Alguns pombos bicam os caquinhos, em seus cérebros e estômagos famintos imaginam fragmentos brilhosos/opacos de comida.
Ao me (re)construir,
estou capenga, esburacada, deformada.
Parte de mim virou poeira, foi parar no fundo do esgoto, virou excremento de bicho.
Sou eu e não sou eu.
Virei outra, mas sou eu.
Estou me (re)descobrindo.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

In memorian

In memorian: Moshe Dayan

Faria 31
Sigo aos 56 e 1/2
Cumprindo rituais e obrigações,
tendo lazer
E tenho saudades,
muitas.
Envelheci e cada vez mais taciturna,
me distancio de quem deseja me enformar.
Me refugio nas folhas, de livros e plantas.
Nunca estudei Pessoa, leio seus poemas e textos.
Os heterônimos o ajudaram a dispersar as regulações alheias?
Não chore, não fique triste, saia, fique, pinte, não pinte, emagreça, não coma isto ou aquilo, levante, durma, escreva, não escreva. Você tem falta de Deus. Herege.
Ingênuos a parvos.
Amorosos e empáticos,
nos últimos me encontro.
Pessoa encontrou um escape?
Talvez escreveu mais tranquilo ao sentir a febre e Bernado Soares o ajudou.
Faria 31
Aos 28 anos, nove meses e 11 dias partiu.
Importa?
Para quem o amou, sim.
Saudades maternas.




quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Saudades

Foi embora,
Saiu de cena
Sombra!
Uma sombra refletida no asfalto,
Intangível concretude
Decidiu ser inteira,
mergulhada em Saudades

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O colorido das linhas

Em um tempo de elogio da tortura.
Prefiro me ocupar das linhas e agulhas.
Dialogar sozinha.
Ser nominada de lunática.
Tecer tramas,
fabricar malhas,
misturar cores,
à papear com  bombas cardiacas
monocromáticas,
monotemáticas,
egocentradas,
emperdenidas,
mergulhadas em uma sociedade distópica
Prefiro o colorido das linhas.

sábado, 7 de setembro de 2019

Flores

Flor do campo,
suave, perfumada e delicada

Rosa,
formosa, garbosa, desejada e perfumada

Flor do campo, suave, perfumada e delicada?
Uma rosa, formosa desejada e perfumada?
Uma orquidea rara?

Palma forrageira!
desengonçada, espinheita e marcada pelo sol escaldante

Quem vence os espinhos,
encontra água, água doce que mata a sede
são poucos que se arriscam



domingo, 28 de abril de 2019

Questionamento

O que se faz com a saudade?
Nada se faz
Se vive
E os questionamentos?
E os questionadores?
Ignoramos.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

BATALHAS

De batalha em batalha
Mergulhei em um processo do aprendizado do agora
Cada microsegundo é vívido e vivido.
Celebro o Epicurismo, não!
Reoorganizo as conexões neuronais.
Recuso ilusões, minimizo temores.
Suplanto as "ites" e as "dades"
Se não sei o que me espera no segundo seguinte
Melhor sentir o presente.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Sou plena quando escrevo

Sou plena quando escrevo,
sem temores, nem reservas
Exponho a alma na rua,
para os que a sabem ler,
em um mundo de analfabetos.

terça-feira, 19 de março de 2019

Bem-me-quer

Bem-me-quer,  malmequer,  bem-me-quer, malmequer,
Bem-me-quer, mal-me-quer,  Bem-me-quer,  mal-me-quer,
Em qualquer ortografia,
Como o número pi,
3,14159295....
posso continuar infinitivamente  a cantilena,
Mas a resposta eu sei: malmequer  ou não me queres,  não me importa
Sou egoísta,  escrevo para mim
Se gostas ou não,
Continuo a escrever,
Se bem-me-queres  ou malmequeres ou se definitivamente simplesmente não me queres,
Sou egoísta,  sigo a sentir.


domingo, 10 de março de 2019

SILÊNCIO

Silêncio
ensudercedor,
esmagador
que estoura os tímpanos e atordoa
O sangue escorre
Desnorteada com a verborragia do Silêncio
Me calo
Me resguado
Hiberno sem a segurança de despertar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Espumas do mar




Foto de Flávia Cavalcanti Gonçalves.Foto de Flávia Cavalcanti Gonçalves.
Foto de Flávia Cavalcanti Gonçalves.










Nos momentos livres da viagem técnica tenho ido ao mar.


(texto escrito em 2015 e publicado no Facebook)

Hoje fiquei observando as ondas, a maré estava subindo, as ondas quebrando e a espuma lindamente se 'amostrando' toda 'assanhada'.
Moro longe do mar, mas o mar não sai de mim. 
Posso observá-lo de longe, porque existem alguns que são para serem observados e outros para mergulhar, nadar, boiar, "pegar jacaré, brincar... Não é todo mar que me deixo envolver, tem que ter o aroma certo, a temperatura, o molejo da onda...Ah sim e tem a praia. A praia! Prefiro praias com um certo tipo de areia, com faixas largas e pouco movimento. Praia que você tem que brigar por um pedacinho de chão, gosto não visse.
As espumas hoje estavam lindas! Em alguns momentos parecia flocos de coco que faço beijinho ou coloco no recheio da tapioca, dava até vontade de abocanhar. Em outro momento parecia uma faixa estreita de nuvens. E uma hora eu lembrei da mitologia grega e pensei que Afrodite ia emergir da água.
Para ter momentos felizes me basta aproveitar as belezas lindas do Todo Poderoso.
Com água, seja ela salgada ou doce (cachoeiras minhas lindezas), o colorido da natureza, as flores, a paisagem e as aves (para meus amigos biólogos) que para mim é passarinho mesmo, poeticamente passarinho, que me atravessa a alma e, uma brisa no rosto me renova os ânimos e a vida.
Melhor terapia que existe para esta pernambucana.


sábado, 2 de fevereiro de 2019

Choro

O choro não pede licença, ele chega.
A lágrima escorre e lava a face sem pudores.
Não regulo a alma,
ela é livre como o choro.
O corpo sim  é limitado.
Além de limitado, desgastado!
Que a alma seja livre e a face lavada!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

RESPIRO

Os tons laranja arroxeados dos fins de  tarde do cerrado
enchem de nostalgia e romantismo os olhos e a alma.
O espírito voa e paira sobre a cidade e seleciona o que observar.
O vôo, o gorjear e o bailado cortejante das aves, os animais folgando a primavera, a flora perfumada, colorida e verdejante, as músicas melodiosas, a reinação das crianças,
as declarações de amor: tanto as escancaradas como as veladas.
Um ruído interrompe o deslumbramento solitário.
A realidade retorna, o cotidiano necessário prossegue para sobreviver, continua só.



sexta-feira, 9 de novembro de 2018

ESPECTRO-SER

Sou um espectro que finge ser pessoa.
Envelhecida pela rudeza da vida.
Madrugadas mergulhadas em saudade.
As vezes as conexões com os humanos fica partida
Os contatos imediatos se rompem .
Fica os humanos estupefatos me observando sem entender minhas limitações.
E eu os miro e aceito sua condição não-saber.
Sou daquela categoria que morreu tantas vezes desde que sentiu o primeiro sopro de vida ao nascer.
Sou daquela categoria que carrega tantas marcas no corpo e na alma que perdeu a vontade de se comunicar.
Porque você está triste?
Desculpe, você não irá entender.
Siga.

sábado, 6 de outubro de 2018

TODO DIA

Todo dia ao abrir os olhos depois de um período de sono percebo que estou viva.
(Todo dia choro)

Todo dia que percebo que estou viva me pergunto: Por quê?
(Todo dia choro)

Todo dia procuro levantar e ter ânimo para os afazeres e vivências do cotidiano.
(Todo dia choro)

Todo dia ao longo do dia em algum momento as lágrimas escorrem.
(Todo dia choro)

Todo dia ao olhar no espelho percebo que a  cada dia me reconheço menos.
(Todo dia choro)

Todo dia reconheço em mim as o roxo e o inchaço das olheiras.
(Todo dia choro)

Todo dia procuro sorrir e não disseminar amargor e mágoa.
(Todo dia choro)

Todo dia procuro viver com pedaços que me faltam.
(Todo dia choro).

Todo dia ao final do dia, a noite ou na madrugada procuro me ocupar de levezas para não remoer histórias.
(Todo dia choro)

Todo dia convivo com os fantasmas de todos os infernos que visitei.
(Todo dia choro)

Todo dia leio notícias.
(Todo dia choro)

Todo dia sinto saudades.
(Todo dia choro)

Todo dia procuro dar significado  ao dia.
(Todo dia choro)

Os pequenos problemas do cotidiano já não me irritam.
Vou vivendo cada dia sem muita pressa.
Passei a preferir a solidão das minhas ocupações  a dialogar com amargos e raivosos seres, opto por degustar um sorvete sem crise de consciência e sem contar calorias.
(Todo dia choro)

Todo dia procuro reconhecer a Soberania, entretanto vez ou outra surge o questionamento: Por quê não eu?
(Todo dia choro)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Quanto tempo o tempo tem?

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, o Tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo, tempo tem.
Trava-línguas! O texto acima é um trava-línguas, uma espécie de jogo verbal que consiste em pronunciar o texto sem justamente travar a língua,uma das utilidades dos trava-línguas é aperfeiçoar a pronúncia.
Escolhi este em especial devido ao tema: Tempo.
Muitas pessoas já estudaram, leram, ouviram ou assistiram filmes e documentários sobre os gregos antigos e as palavras utilizadas pelos mesmos em relação à noção do tempo. Chronos para o tempo de natureza quantitativa e Kairós para o sentido  qualitativo do tempo, algo como o momento oportuno. Aion expressão de origem grega, menos conhecida, indica o tempo de longo prazo. Na Bíblia a biblioteca que comumente é conhecida como o livro sagrado para os cristãos, as noções de tempo gregas aparecem nos livros do novo Testamento ressignificadas e atreladas ao tempo dos homens e ao tempo de D-us.
A palavra tempo me faz lembrar a a minha voinha materna, em forma de cantinela um trecho do livro de Eclesiastes, da Bíblia também, do Velho Testamento: Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu (Ec. 3:1), chegavam aos meus ouvidos.
Mas... Quanto tempo o tempo tem? O tempo tem tanto tempo quanto tempo, tempo tem.
Bingo!
Sabem, cada pessoa lida com um sentimento, um fato, um acontecimento no seu tempo. Apesar de já terem medido o tempo para tudo até para o quanto devem durar os sentimentos mais profundos.
Hoje é 4 de junho, seis meses que meu filho mais velho Moshe Dayan morreu, um ano e meio que minha neta Ashira Ariel filha dele também morreu; 45 anos 4 meses e meio que meu voinho materno João morreu. Eu poderia ampliar esta lista para afirmar de forma contundente que sinto sim a falta de pessoas queridas que marcaram minha vida. Acontecimentos também podem funcionar como trava-vidas ou destrava-vidas, ou avaliar-vidas, as nossas.
Eu estava com 9 anos e alguns meses de idade quando João meu avô morreu, morava na casa dos meus avós, uma criança no meio de adultos, um bibelô.
A morte do meu avô foi um tempo de avaliar-vidas, e eu fiquei pensando: "E se todos morrerem?", de um bibelô passei a me construir ao longo da vida e aprender sempre que necessário, aprender e fazer, viver, sobreviver.
Quando escrevo sobre a morte de meu filho, escrevo porque preciso.
Como a maioria das pessoas não sabem de sutilezas, de detalhes do que ocorreu e das dificuldades inclusive burocráticas que enfrentamos nos pós-morte, e, que é diferente para cada caso, imaginam talvez que tudo seja bem mais simples.
Lembro certa vez de visitar uma amiga que perdeu sua filha em uma acidente, uma fatalidade. Minha amiga me perguntou se eu tinha respostas para ela. O que posso falar para uma mãe que perdeu sua filha querida? O que posso fazer a não ser abraçá-la e emprestar o meu ombro? - Não tenho respostas para você.
Resolvi deixar de pintar meus cabelos e lentamente eles estão ficando brancos, não tenho vontade de pintá-los e não tenho vontade de pintar as unhas e isso faz parte do meu momento, do meu tempo, do meu transpassar.
Ao mesmo tempo conto histórias, causos e piadas , sorrio.
Se eu acredito no Eterno? Sim eu acredito! Talvez a minha manifestação da fé seja diferente da sua!
E que na labuta do Chronos tenhamos espaço para sermos ombros, para abraçarmos as pessoas, vocês nem imaginam como um afeto é melhor do que algumas palavras.